O primeiro golpe indiano a gente nunca esquece

Nós detestamos Agra. Fim do post.Ou poderia ser, se lá não estivesse o Taj Mahal e o Agra Fort. Já tinha ouvido falar que Agra é suja, poluída, barulhenta e que um dia era mais que suficiente, por isso esse foi o único lugar na India onde ficamos menos tempo do que deveríamos. Mas a verdade é que depois de Varanasi, nenhuma cidade é suja, poluída e barulhenta o suficiente para impressionar. Mesmo assim, todo mundo tinha razão numa coisa, Agra não é uma cidade agradável. Pelo menos foi a nossa experiência.  A cidade é feia e  cheia de espertinhos que sabem muito bem o tamanho da importância da cidade para o turismo no país e eles usam e abusam disso. E foi lá que tivemos a primeira experiência com  um golpe indiano, mesmo tendo lido trocentos depoimentos a este respeito. Ao chegar no Taj Mahal,  2 rapazes simpáticos e educados vieram até nós logo depois de comprarmos o ingresso dizendo que tinhamos direito a uma água, dois protetores de sapato e… um guia. Nós sabíamos que essa história de ter direito a guia era mentira, ou pelo menos muito estranha, mas como eu e o Klaus já tinhamos combinado de pegar um guia por lá, pensamos: por que não? Já queremos um guia mesmo, pelo menos para esse só precisaremos dar uma gorjeta  melhorzinha. Bom seria se fosse simples assim. Eu notei que o negócio ia esquentar quando  um dos rapazes ficou  com o cigarro do Klaus, com a desculpa que  não podia entrar no Taj Mahal, o que é verdade, mas é uma maneira de te segurar com o guia até o final. Devo confessar, o guia foi ótimo, até tirou boas fotos, nos tirou de várias filas kilométricas, mas lógico que isso tudo é bom demais para ser verdade. E na India, ou qualquer outro lugar do mundo, o que parece ser bom demais para ser verdade provavelmente é, e pode esperar que vai vir treta. No final, ele nos fez passar em 2 lojas tentando vender coisas por 10 x o preço. Ok, eu já esperava e apesar de não ter gostado não foi assim tão difícil, falamos que não compraríamos nada e ele nos levou de volta. Só que nós entramos por um lugar e saimos por outro. E o caminho de um portão para o outro passava por umas ruas estranhas. Comecei a dar chiliquinho. Fiquei realmente com medo e falei para ser levada de volta por dentro do Taj Mahal, depois de um empasse resolvemos seguir o cara. O guia em si era legal. Na hora que viu meu nervosismo ele disse para o Klaus que se quiséssemos ir embora dali não teria problema, mas num golpe, por trás de um cara legal tem sempre uma gang não tão legal. Recebemos o cigarro de volta e demos algo em torno de 200 rúpias para o guia, o que é muito considerando que já tinhamos pagado 750 para entrar no Taj Mahal e ele tinha dito que era de graça. Naquela hora veio um cara grandão com um papo bem ameaçador, e perguntando se gostamos do serviço do guia. Dizemos que sim e então ele  falou de forma agressiva que se gostamos deveriamos dar mais que 200 rúpias. O Klaus manteve a calma mas eu não. A baiana que há em mim rodou com vontade. No final eles provaram do próprio veneno, porque se fosse de graça  de verdade,200 rúpias estava bom DEMAIS de gorjeta, mas se fosse para pagar um guia credenciado deveria ser um pouco que isso. E também porque  grande por grande, meu marido também é e foi só ele falar mais grosso para o Stalone indiano sair fora. Mas se fosse um casal de idosos, uma mulher sozinha, duas mulheres, ou até mesmo um homem sozinho, acho que eles teriam tentando intimidar mais a pessoa e talvez não teríamos o cigarro de volta até pagar mais, ou o clima teria esquentado ainda mais. Os caras são muito espertos, simpáticos e convincentes, se não fosse o cigarro tenho certeza que eles pegariam qualquer outro objeto para nos segurar. Pode parecer muita ingenuidade minha, mas é muito fácil cair na lábia desses tipos. Eles não te dão chance de pensar e sabem como conduzir a situação de maneira que você se sinta num beco sem saída, mas ao mesmo tempo pense que não há mal algum em ir com o guia. Nunca esquecerei a nossa visita ao Taj Mahal. Foi maravilhoso, lindo. Mas esse final foi chato e me fez esquecer o encanto do meu primeiro encontro com o Taj naquele momento. Não faça isso. Poupe fadiga contratando um guia através do seu hotel ou uma fonte confiável, sempre deixando claro todos os detalhes, principalmente o preço. Logicamente, evite ao máximo  esse guias mequetrefres, E aproveite, ver o Taj Mahal ao vivo é realmente tudo aquilo que se espera.

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lilistahr

Uma capixaba morando em Londres há mais de 12 anos, e apaixonada pela capital britânica. Viciada em viagem, com uma queda por praias paradísiacas e destinos menos óbvios. Para saber mais clique no "sobre" e escolha "sobre mim" na barra superior.

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