Parei de contar, comecei a viver

Nessa nossa ultima viagem, conhecemos um brasileiro super gente boa, e no meio de um papo quando dissemos que eramos capixabas ele disse: “o cara mais viajado do Brasil é capixaba”. Como você sabe?perguntei. E ele disse que existia um site para isso, aonde as pessoas podem cadastrar os lugares que ja visitaram e o site tratava de te colocar num ranking. Fiquei meio passada, viajar agora era uma Olimpíada onde cada um tinha seu lugar no podium. Não me etendam mal, eu mesma tenho um perfil no tripadvisor com alguns lugares onde já estive. Atualizava sempre no passado. Tenho até um mapa que você pode raspar os lugares onde já esteve e assim vai personalizando seu mapa e colorindo(e sigo amando meu mapa). Fiquei curiosa e inclusive me cadastrei nesse tal site mas desisti quando lembrei que já há algum tempo me prometi não contar mais lugares. Não quero. Não tenho absolutamente nada contra quem quer contar quantos paises, quantas cidades, quantos sei lá o que, cada um leva a vida como acha melhor. Não estou falando dos outros aqui, não levem para o lado pessoal, estou falando de mim. EU não quero mais pensar nesses numeros de viajante. Descobri que virei escrava deles. Tinha metas para conhecer não sei quantos países antes de chegar a tal idade, me via espremendo visitas que deveriam durar 5 dias em 2 só para caber mais lugar, e por aí vai. Sem notar comecei a me importar mais em conhecer um país novo, do que viver algo novo. Gente, me canso só de ler que já fui assim. Acho que muitos viajantes ja tiveram essa  mania de valorizar mais os numeros do que as experiências. O que é natural, porque ninguém nasce sabendo nada, e viajar é mais uma das várias coisas que aprendemos com o tempo.

mapa mundi Parei de contar, comecei a viver

Ainda na nossa ultima viagem, eu conheci uma americana que teve seu primeiro passaporte aos 30 anos e só usou a primeira vez aos 35. Mas em um dos papos sobre comidas estranhas ela disse que já tinha comido cachorro na Coréia do Norte e achou gostoso. Coréia do que?Como assim?! Você foi lá? E de repente o papo mudou de foco, choveu pergunta, e ela ficou um tempão contando para todo o grupo da sua experiência enquanto pelo menos 7 pessoas ouviam e babavam com suas histórias. Nesse mesmo grupo tinha gente que estava rodando o mundo, que já tinha rodado o mundo e conhecia um montão de lugar. E mesmo assim, aquela experiência chamou atenção de todos, era relevante, porque não era um número, ninguém queria saber em quantos países ela já esteve, a gente queria saber o que ela viveu. Acho que a minha postura em relação a numeros e viagens não foi algo que eu mudei do dia para noite. Não acordei uma nova viajante. Fui vendo um sinal aqui e ali, e fazendo pequenas mudanças ate perceber que já não me importava com a porcetagem do mundo que eu “conhecia”, e sim com as lembranças, sentimentos, as lições que os lugares me ensinaram. Também parei de me apavorar e apressar fazendo um monte de viagem desembestada e amontoada como se o mundo fosse acabar amanha. O mundo pode até acabar amanha, mas se isso acontecer, qual o sentido de ter “ticado” um montão de coisa da minha lista sem ter de fato aproveitado nenhuma delas? Acho que hoje o sentido de viajar para mim é completamente diferente de antes. Me sinto liberta, porque minhas escolhas nada tem a ver com metas ou quantidade, mas tem tudo a ver com desejos, sonhos, saudade. Eu posso voltar num lugar onde já estive, olha que coisa maravilhosa! Sem peso nenhum na consciência, porque voltar a um lugar que a gente gosta pode ser ainda mais legal do que ir a primeira vez.. Posso visitar cidades de um país que já fui um milhão de vezes em várias viagens diferentes sem problema. Não tenho obrigação de usar minhas férias só para conhecer um país novo e inchar minha listinha. Posso “gastar” todas as minhas férias visitando 2 países enquanto eu potencialmente poderia visitar 10 no mesmo tempo, só porque é o que vai me fazer feliz. Fantástico, né não? Não vou ser hipócrita, lógico que adoro visitar lugares onde nunca estive e às vezes tenho que me controlar para não fazer um roteiro inflacionado pela proximidade de países/cidades. Mas hoje esse tipo de escolha não tem relação nenhuma com numeros ou porcetagens, e sim com o que realmente quero ver e viver nesse mundo. Também não me proibi de contar quantos lugares/cidades/países já visitei, só que isso não é mais importante, não faz muita diferença. Não quero medir,quero experimentar, não quero contar, quero viver.

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lilistahr

Uma capixaba morando em Londres há mais de 12 anos, e apaixonada pela capital britânica. Viciada em viagem, com uma queda por praias paradísiacas e destinos menos óbvios. Para saber mais clique no "sobre" e escolha "sobre mim" na barra superior.

Um comentário em “Parei de contar, comecei a viver

  • março 16, 2014 a 1:19 pm
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    Graças a Deus, vamos voltar a Praga pra curtir pelo menos uma “night” lá? Não consegimos por causa da gincana, rs, bjs

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  • março 16, 2014 a 3:40 pm
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    Adorei o post! A minha relação com viagem nunca foi parecida com a de muitas pessoas.
    Que adoro fazer TUDO que o local me deixa experimentar e pra isso eu não posso ficar apenas um fim de semana no local.
    Então, nossas viagens são quase sempre com mais dias que a média. Mas gostamos desse jeito.
    Podemos fazer as coisas no nosso ritmo, nada mega corrido. Se acordamos cedo num dia pra um passeio que só tem naquele horário, no outro dormimos até tarde se quisermos.

    E assim, vivemos o lugar sem correria e voltamos pra casa com a sensação que descansamos e aproveitamos nas férias, feriados ou que lá que seja!

    😉

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    • março 16, 2014 a 8:35 pm
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      Tatiane, eu mudei minha maneira de viajar e de encarar minhas escolhas. Também prefiro viajar sem pressa hoje em dia, mas acontece de fazermos viagens curtas e não tão devagares. Mas tem gente que só é feliz vendo tudo, fazendo tudo, e se faz feliz, é o que importa né? Eu não sou mais desta maneira e não consigo ficar tão feliz numa viagem cheia de obrigações, mas tem gosto para tudo! 🙂

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  • março 16, 2014 a 6:19 pm
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    Acho que é aquela boa e velha diferença entre viajar e colecionar lugares e infelizmente isso de colecionar lugares é o que mais se vê nesses auto proclamados blogs de “viajantes profissionais” que é outra expressão que também não engulo. Viajar só é profissão se vc é paga para isso, caso contrário, deveria ser uma diversão e não um trabalho, mas esse é assunto pra outra oportunidade. Vejo blog de uma menina que mora na Inglaterra em que fica óbvio que o principal objetivo é claramente visitar o maior número possível de países e por isso , pelo menos para mim, quando alguém faz altas propagandas de que viagens de final de semana são suficientes para conhecer uma capital européia, já desconfio logo. Acho que você está mais do que certa em viver cada lugar ao invés de contá-los. Não importa se em toda sua vida você conheceu 1 ou 100 países, porque a pessoa pode ter no seu passaporte 20 carimbos diferentes, mas será que isso quer dizer que ela realmente viveu e conheceu cada lugar ou apenas passou na frente dos pontos turísticos principais para tirar uma foto e postar no blog? Muito bacana o eu post. Parabéns.
    Beijos,
    Fernanda

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    • março 16, 2014 a 8:41 pm
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      Fernanda, acho que essas escolhas são pessoais. Eu acho que aprendi o que realmente me faz feliz e sigo respeitando os meus desejos, mas tem gente que é feliz de outra maneira e essa é a beleza da vida! Eu faço muitas viagens de final de semana também, mas hoje em dia tenho consciência que em 2 dias não conseguirei ver tudo que uma cidade oferece. Mas a grande vantagem de não me preocupar com esses números é que posso voltar sempre que quiser e puder. Fico feliz que tenha gostado do post, volte sempre! 🙂

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  • março 17, 2014 a 2:07 am
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    Oi, gostei bastante do texto. Me identifiquei! Sempre fui mais adepta das viagens lentas, de ficar mais tempo, de conseguir absorver o lugar. Não cheguei a viajar de outra forma, e não sei se algum dia vou. Lógico que essas “competições” de carimbos do passaporte às vezes me provocam, mas quando penso melhor, sempre decido que menos é mais!
    Mas é isso, respeitando o que cada um gosta, seguimos nosso estilo, e os demais que sigam os seus, né?
    Abraço! Ana Beatriz

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    • março 19, 2014 a 5:52 pm
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      Isso mesmo, Ana. Acredito na diversidade e respeito. Cada um com seu estilo de viajar, pois sabemos o que nos faz feliz. O meu já não é focado no numero de países que visito, e sim na experiência, mas isso é de cada um! Abs

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  • março 17, 2014 a 8:47 pm
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    Assino embaixo, Lili. =)

    Eu confesso que também contava o número de países, prestava muita atenção nisso. Com o tempo fui relaxando. Este ano acho que vou fazer uma única viagem ao exterior. Mas vai ser para ficar cinco meses, com calma, me sentir morador de lá. Se sobrar tempo, encaixo algum país vizinho. Se não sobrar, sem problemas.

    Mas é o que você disse mesmo: ninguém nasce aprendendo a viajar. A gente vai evoluindo. Ainda bem, né?

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    • março 19, 2014 a 5:46 pm
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      Rafael, acho que a grande maioria dos viajantes incuráveis como nós já teve esse surto de contar países e se preocupar com isso. A gente vai aprendendo com o tempo não só a viajar melhor, mas a viajar principalmente pensando no que realmente queremos e gostamos. Evolução sempre para todos nós 🙂

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  • março 19, 2014 a 1:43 pm
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    Que belo post, amiga. Adorei. 🙂
    Vou me lembrar dele toda vez que alguém perguntar: “mas Londres DE NOVO?”. hahaha
    Porque é bem isso mesmo: o importante é realizar sonhos, desejos, vontades. E tudo do nosso jeito. Não apenas acumular raspadinhas no mapa. 😉
    Luv u.
    Saudade!
    Beijobeijo

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    • março 19, 2014 a 5:55 pm
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      Nah, você e o João me parecem sabios desde cedo. Eu na sua idade estava descobrindo a quantidade de carimbos e de tão animada com isso, esqueci do mais importante que são meus sonhos, as lembranças e a experiência incrível que é viajar. Continue assim. A proposito, Londres tá linda, ensoralada e com muita saudade de vcs. lov u 2
      Bjs

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