Siem Reap- Vila flutuante no período seco, vale a pena?

Chegamos no Cambodja depois de uma longa jornada. Era de manhã, mas nosso dia tinha começado há quase 24 horas. A Singapore airlines ainda perdeu nossa mala, era ano novo chinês e o hotel estava lotado portanto não puderam nos dar um early check in. Eu queria fazer qualquer coisa, menos turismo. Mas a recepção foi tão linda, os cambojanos são tão fofos, que aquela aura de amor que nos cercava nos convenceu que deveríamos conhecer algo naquele dia. Templos, nem pensar. Eu queria estar descansada e inteira para dar de cara com Angkor a primeira vez. Então resolvemos encarar um tempo no tuk tuk e ir a vila flutuante.
Floating village Cambodia
Fui completamente cética, pois já tinha ouvido todo o tipo de comentário a respeito, mas a grande maioria não era muito bom. Fomos para não perder o dia simples e puramente. Saíamos as 2 tarde do hotel,depois de um banho renovador. No começo do passeio achei bacana, mas nada imperdível. Muitas casas, aquele clima de cidade do inteiror e muita plantação de arroz com os campos mais verdes que você puder imaginar.
plantacao de arroz
E o passeio continuava, mas nada muito interessante a ponto de me fazer esquecer o sono. Era seca afinal, e vimos muito pouco da parte realmente flutuante da vila.
Vimos casas no estilo palafitas gigantes. Tinha água embaixo, porco sendo criado numa estrutura em cima da água, os famosos meninos que usam bacias como meio de transporte, muita coisa interessante sim, mas talvez seja dificil ficar impressionado com uma vida ribeirinha depois das backwaters do Kerala.
menino usando bacia de barco vila flutuante
Estavamos naquela, de “ok, bacaninha”, mas no meio do passeio cheguei a perguntar se a cama depois de uma refeição bem gostosa não teria sido uma opção melhor. Paramos perto do mangue e aí veio aquela irritação. Depois de pagar caríssimo pelo passeio você ainda tem que pagar mais se quiser dar uma volta pelo mangue nas canoas. “Para ajudar o povo”.
mulheres nas canoas
Mas o preço tanto do passeio quanto dessa voltinha nas canoas vai muito além da realidade no Camboja e eu duvido que metade desse dinheiro vá para a mão do povo mesmo. Já me irritei, embora ninguém tenha nos coagido a absolutamente nada. Mas não pagamos pelo passeio extra, irritamos o “dono das canoas” de volta gastando um bom tempo fotografando a área enquanto ele perguntava se iriamos ou não na canoa.
manguezal Siem Reap
Quase no final do passeio, o nosso guia ofereceu parar. Na seca, você pode andar no meio das casas, e ver algo que na cheia só é possível de barco(ou talvez nem seja possível,não sei) Nós aceitamos. E aí tudo mudou. Fomos a um templo e caminhamos pela vila.
Kompong Phluk 3
Andamos e tomamos uma cerveja sob olhares curiosos. Vimos um pouco da vida da vila, crianças empolgadas e usando o que tivessem para brincar mostrando para a gente que não é preciso muito para ser feliz. A alegria das pessoas em poder caminhar, pular, jogar futebol nos contagiou. Eles devem  ter outro tipo de distração na cheia, uma vida um pouco diferente.
Barbeiro ao ar livre! vila flutuante
Barbeiro ao ar livre!
Eles pareciam celebrar cada momento e observar o quanto eles valorizavam e aproveitavam o feriado e num habitat diferente do que eles devem viver o restante do ano nos tocou.
criancas Camboja
 O Klaus resolveu entrar na rodinha de futebol enquanto eu observava tudo ao meu redor. As crianças gargalhavam a cada cabeçada que ele dava na bola, a cada chute. Felizes por nada e por tudo. E nós riamos junto.  Cada sorriso que eu dei foi correspondido, e ollha que não fiz economia na hora de sorrir.  Que delicia viver aquele momento.
futebol com criancas cambojanas
O sol ia caindo, e o Klaus continuava jogando bola. Era feriado no Camboja, mas a vida daquela vila me parece passar lentamente independente de data. As crianças todas de pijama na rua, tão natural, tão inseridos no seu contexto sem dar bola para o resto do mundo, e ao mesmo tempo encantados conosco ali no meio, segurando uma criança no colo, jogando bola com os meninos da vila.
pessoas de pijama Cambodia
Por um segundo era como se fizéssemos parte daquilo tudo, simplesmente esquecemos que estávamos num tour e por ali ficamos por 40 minutos, como se aquilo fizesse parte também do nosso dia também. Que delicia. Era o primeiro dia da nossa viagem, eu já tinha a sensação que me apaixonaria pelo país, mas aconteceu assim logo de cara,  sem cerimônia, num lugar que eu esperava não gostar tanto como a vila flutuante, de uma maneira tão natural.
Vida ribeirinha
Depois de ver o sol baixando bem, com muita pena chamo o Klaus e o nosso guia(que devia ter uns 15 anos). Ambos ensopados de suor depois de 40 minutos de jogo e eu meio bebâda de cansaço, mas leve, apaixonada pela doçura dos cambojanos e feliz por ter ido contra o que muita gente fala para ter a minha visão do que era a vila flutuante.
monk floating village
Tenho certeza que a experiência teria sido completamente diferente se tivessemos visitado na época de chuva. Talvez a vila fique mais fotogênica, mais autêntica, talvez até exista essa interação que vivemos em tempos de cheia.
Kompong Phluk

Mas uma coisa é certa, valeu muito a pena ter ido na época seca. Conhecer o povo cambojano antes mesmo de conhecer qualquer cartão postal do país foi a melhor maneira de começar a nossa tão esperada e sonhada viagem.

Kompong Phluk 2

Detalhes práticos: pagamos 15 dólares pelo tuk tuk até a vila flutuante. A viagem dura em média 40 minutos até o ponto onde se pega o barco, e o passeio dura 2 ou 3 horas, mas se você se empolgar como nós, pode durar mais. A vila cobra uma entrada de 20 dólares por pessoa, e você faz o passeio num barco. Quem quiser pode pagar extra para andar de canoa na floresta flutuante custa 5 dólares por pessoa por um passeio express na canoa. O barco também dá uma voltinha no lago Tonle Sap. Como acabamos gastando muito tempo na vila não demoramos muito, mas não tinha muita razão para demora, o lago é enorme e parece até mar de tão longo. Tenha em mente que há mais de uma vila flutuante nos arredores de Siem Reap. A mais mal falada de todas é a Chong Kneas, a que fomos se chama Kompong Phluk e já li a respeito da Kompong Khleang. Lendo os reviews do tripadvisor, a que tem melhor ranking é a que visitamos e  Chong Kneas tem pouquíssimos reviews bons. Vá com um tuk tuk de confiança ou faça um tour com uma agência bem conceituada para evitar frustação. Fizemos tudo com o mesmo motorista todos os dias, indicado pelo nosso hotel, sobre o qual irei falar no futuro(e é excelente!).

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lilistahr

Uma capixaba morando em Londres há mais de 12 anos, e apaixonada pela capital britânica. Viciada em viagem, com uma queda por praias paradísiacas e destinos menos óbvios. Para saber mais clique no "sobre" e escolha "sobre mim" na barra superior.

9 comentários em “Siem Reap- Vila flutuante no período seco, vale a pena?

    • Março 7, 2014 a 12:10 pm
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      Foi lindo mesmo! Que bom que gostou. Saudade de vc(e dos seus posts tb!). Bjobjo

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  • Março 10, 2014 a 2:42 pm
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    Vc escreve e descreve tudo tão bem que tive a sensação de ter estado com vc nesses lugares, parabéns Lili, pela narrativa e pela viagem. Que Deus te abençoe sempre e permita que vc conheça todos lugares que desejar. Viajei com vc, te amo, bjs

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  • Março 12, 2014 a 4:47 pm
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    Fiquei encantada! Tô começando a pensar no sudeste asiático para o ano que vem. E o camboja já está cotado como o último país antes de voltar. Afinal, li que é melhor não comparar outros com eles.

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    • Março 13, 2014 a 12:03 am
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      Tatiane,
      O Camboja nos encantou bastante, e muita gente sente pena de ir embora mesmo, mas acho que essa coisa de deixar para o final depende muito do que você espera quando viaja. Eu adoro conhecer o povo nativo, quero saber como eles vivem e me envolver, e para isso o Camboja é um prato cheio e se fosse contar só isso realmente seria uma lástima conhecer qualquer outro lugar depois. Mas nossos dias em Siem Reap envolveram muita caminhada, muito sobe e desce de escada e apesar de ter sido maravilhoso, foi cansativo. Por esse lado, teria sido péssimo acabar a viagem assim, já que no final queriamos relaxar mais do que turistar. Então antes de decidir a ordem dos paises/cidades, vale a pena pensar em tudo isso!

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  • Março 16, 2016 a 1:34 am
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    Q lindo!! fui para camboja entre janeiro/fevereiro, estava em periodo de seca; fui visitar a vila tambem, me apaixonei!!!! durante o tuor eu me pegava chorando em alguns momentos, é muito emocionante ver a felicidade das crianças, oquanto elas sao felizes mesmo sem ter nada..
    Ja dizia o ex embaixador americano no Camboja: “Tome cuidado, pois o Camboja é o país mais perigoso que você visitará. Você se apaixonará por ele e ele eventualmente irá partir seu coração. ”

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    • Março 30, 2016 a 3:02 pm
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      Pura verdade, Larissa!

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