Museu em Londres- Sir John Soane’s Museum

Quando eu digo que essa cidade é inesgotável, e quando digo que é preciso ter expectativas reais e noção que é impossível conhecer tudo em 5 dias tem gente que ri, mas é a mais pura verdade. 11 anos depois, e eu ainda me pego visitando atração turística pela primeira vez, e devo dizer que sou daquelas pessoas animadas e que está sempre fazendo algo, saindo, batendo perna. Quando me mudei para cá comprei o guia visual da Folha e marquei nele vários lugares que queria muito ver. De tempos em tempos eu ainda pego esse guia para ver o que ficou para trás, e esse museu estava lá marcado e esquecido. Então no sábado passado queria muito ter ido ao London Mayor show mas a chuva me desanimou (passa lá no Pra ver em Londres que tem um post lindo sobre). Então tive a brilhante idéia de ir com uma amiga ao museu do Sir John Soane. Detalhe, ela mora aqui há mais de 20 anos e também não conhecia! Eu fui ao museu sem muita expectativa, sabendo apenas que o Sir John Soane era um arquiteto famoso que construiu obras como o Banco da Inglaterra e a Dulwich Picture Gallery., que ele quis transformar sua casa em museu e que era um museu diferente. Pois bem, a diferença já começa na porta: fila para entrar. Eu só tinha visto fila antes no museu de história natural, num dia horrível de inverno, bem na época de feriado escolar, num final de semana. Ou seja, todos os fatores contribuíram para ter fila. Mas esse museu pelo visto quase sempre tem uma filinha na porta. Ele recebe um número limitado de pessoas, é pequeno,  é preciso deixar sua bolsa na chapelaria ou colocá-la dentro de uma sacola plástica que o museu disponibiliza. Acho que eles fazem isso para evitar que as pessoas entrem com bolsas grandes.

Sir John Soane Museum Museu em Londres

Eles pedem que desliguem os celulares, não tirem foto de nada. Achei frescurite tanta regra, mas chegando lá tive entendi e concordei, realmente nào combina com a proposta do local . Você anda pela casa do Sir John Soane, que foi doada ao país pelo próprio com o desejo que ela virasse realmente um museu inspirando arquitetos e qualquer outro que visitasse sua casa. Sua condição é que mantivessem a casa como ele deixou. E por isso mesmo faz todo sentido que seja proibido o uso de telefones e cameras. A idéia é que você visite a casa do arquiteto como era no tempo em que ele morava lá, usando apenas luz natural. O começo da visita é muito diferente do final, julgando que todo mundo segue o mesmo fluxo. Primeiro visitamos algumas salas belissimas. Algumas pilastras servem de armário para livros. Quem pensaria em aproveitar espaço em 1700 e numa casa enorme? Teto arrendondado, salas coloridas, espelhos, áreas intencionalmente criadas para iluminar a casa, móveis maravilhosos, pequenos detalhes que mostram que ali morou alguém que entende de arquitetura. Sem contar nos seus projetos emoldurados pela casa. Mas é depois da sala de desenho que as coisas começam a ficar bem peculiares. Saindo de lá você entra no que eram os estábulos da casa. E lá esta quase toda a coleção de Soane. Pedaços de pilastras romanas, mini cidade feita de rolha, estátuas meio sombrias, uma espécie de caixão de pedra, vasos romanos, tudo isso num espaço apertado, escuro e praticamente todo só com luz natural. Realmente aquele clima sombrio não combina com telefones iluminando o local, nem com barulho de camera. Então algumas peças ficam no meio da escuridão e são bem dificies de ver. Lá está uma miniatura da tumba do Sir John Soane que foi desenhada pelo próprio, e serviu de inspiração para o famoso orelhão vermelho de Londres. O museu abre uma terça por mês a noite das18:00 às 21:00, numa visitaçao toda à luz de velas. Fiquei com muita vontade de ir. Mas fui informada que os ingressos(gratuitos) são distribuídos no dia, no esquema quem chega primeiro, leva. Então quem quiser visitar o museu assim, melhor chegar no mínimo ate as  5, que é uma hora antes da visita.  O museu está em restauração há anos, e parece que até meados do ano que vem outras salas serão abertas a visitação, e aquele ninho de mafagafinhos que é o estábulo e a cripta da casa sera melhor organizado com algumas peças indo para o seu local de origem. Eu confesso que tive uma relação de amor e ódio com aquele bololô de peças, na escuridão, com aquele clima de velório. Achei estranho e ao mesmo tempo interessantíssimo e não sei se a reforma mudará toda a cara do museu. Mas uma coisa é certa, assim que essa reforma for parcialmente concluída, eu vou voltar! Minha humilde opinião é que apesar de não ser um dos museus mais famosos, nem dos mais imperdíveis de Londres, certamente é um dos mais diferentes e os arquitetos e amantes de arquitetura não deveriam deixar de conhecer. O museu fica próximo à estação de Holborn, em frente ao Lincoln’s Inn Fields  e é de graça.

Mais informações no site do museu:

http://www.soane.org/

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lilistahr

Uma capixaba morando em Londres há mais de 11 anos, e apaixonada pela capital britânica. Viciada em viagem, com uma queda por praias paradísiacas e destinos menos óbvios. Escreve todos os posts mas faz o blog junto com o marido, Klaus. Para saber mais sobre, clique no "sobre nós" na barra superior.

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