O dia em que eu peguei carona na Romênia

Romêmia? Cuidado! Romênia? Vai fazer o que lá, ver o Drácula? Cuidado com os ciganos!

Essas foram algumas daas frases que ouvi quando disse que ia para a Romênia. Eu mesma confesso que antes de pesquisar, julgava o país levemente perigoso. Eu mal imaginava que a Romênia seria o segundo lugar na vida onde pegaria carona, e me sentiria segura com isso! Sim minha gente, li muito a respeito do país, da região onde ficamos, da cidade, e em nenhum lugar eu li que a Transilvânia era perigosa, porque de fato não é. O nosso “causo” de viagem começa com uma cidade fofa, linda, limpa, segura, mas pouco preparada para o turista independente. É muito fácil se locomover de carro na Romênia. As estradas não são ruins e os aluguéis provavelmente não são caros, mas a coisa complica um pouco quando você quer fazer turismo por sua conta e sem carro. Pra falar a verdade não é que complica, a coisa demora mais. E ao chegarmos no terminal de ônibus de Brasov descobrimos que o próximo busu para Bran, onde fica o famoso castelo do Drácula, só saía em uma hora. Tinhamos acabado de perder um. E aí resolvemos ir a um forte que fica no meio do caminho para onde tem ônibus toda hora, Rasnov. Dentro do forte tem uma informação turistica. Como foi a primeira que vi, tratei de fazer todas as minhas perguntas. Quando mencionei a palavra taxi, o rapaz da informação torceu o nariz. “Não pegue taxi. Os taxistas vão arrancar seu dinheiro, eles vão dar voltas com vocês, cobrar taxas que não existem, ou cobrar um valor fixo acima do mercado. Acho que isso acontece em outros lugares também, infelizmente. Se não conseguir pegar um ônibus, pegue carona. É seguro, as pessoas fazem isso, é comum aqui.” Seguro? Como assim? E ele me lembrou:  Você está numa cidade do interior, lembra? Isso aqui não é Bucareste. E saí de lá rindo, pensando que não precisaria pois de lá pegaríamos o ônibus para Bran e tudo daria certo.

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Vimos o forte em Rasnov, passeamos, mas na hora de sair, quem disse que tinha um taxi para nos levar até o ponto de onibus? E quem disse que a gente lembrava como chegar? Foi aí que veio a primeira carona. Sim amigos, pegamos carona mais de uma vez.(Mãe, desculpa!) Fomos andando pela estrada, o caminho não seria longo, mas perderíamos o onibus. E aí que demos o braço a torcer, literalmente. Eu sugeri, e o Klaus perguntou: O cara disse que é seguro, né? Então levanta esse dedão aí! E assim foi. Alguns carros não se manisfetaram, outros que iam no caminho oposto faziam um sinal com a mão de “que pena, to indo para o outro lado.” Até que um casal parou. E aí que fica uma tensão no ar por alguns segundos de pensar que estamos sendo loucos, mas antes doido do que sem história para contar, então entramos no carro! O casal que nos deu carona foi tão gente boa, mas tão gente boa que parou várias vezes para perguntar onde era o ponto de ônibus. Eles também não eram de lá, mas de Bucareste(rá!). E nos deixaram próximo ao ponto de ônibus. Acontece que acabamos perdendo o ônibus, não tinha muita informação a respeito, e enquanto esperávamos no ponto um carro parou, sem que pedíssemos. Vimos que um homem dirigia e uma senhora estava no banco de trás, achamos que não teria problema, e entramos! Depois de um tempo deu para notar que a senhora também estava de carona, nenhum dos dois falava uma palavra de inglês, e fiquei tensa por alguns minutos. Mas o medo passou, a gente “conversou” usando palavras em comum nos dois idiomas(portugues e romeno), e entre gestos e sorrisos nos entendemos. A senhora desceu antes de nós e deu um dinheiro qualquer ao motorista. Ele não nos cobrou nada, mas resolvemos pagar o mesmo preço que pagaríamos no ônibus e ele pareceu ficar feliz com o agrado. No final das contas ele nos deu seu número de telefone caso quiséssemos que ele nos levasse de volta à Brasov. Daí pra frente, imaginamos que ele cobraria algo então perguntamos o preço e não lembro o valor exato mas foi bem barato, não mais que 30 euros para nos levar de Bran até Prejmer e de lá até Brasov. Então ligamos para ele. E a conversa foi algo tipo: “Brazilians, Brasov, waiting”. Tudo isso intercalado com risadas e uma palavra ou outra em português. Ele disse : 20 minutos em romeno e o Klaus entendeu. Como, não me pergunte. E ele nos levou até a igreja fortificada de Prejmer, depois nos deixou no hotel em Brasov como o combinado.

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Entre conversas e gestos deu para entender que ele alugava quartos ou tinha uma pousada perto de Bran. Ele foi um amor conosco, e ao nos deixar disse que poderia nos levar ao aeroporto no dia seguinte, naquela mesma linguagem estranha que estávamos conversando que incluía gestos, sorrisos e  idiomas variados. Então ao chegarmos no hotel e fazer a logística toda do dia seguinte, chegamos a conclusão que valia a pena ir com nosso mais novo amigo/motorista. E a dona do hotel ligou para ele, que falou o preço e aceitamos! Assim no dia seguinte conseguimos visitar o Castelo Peles, o Monastério de Sinaia e chegar de carro no aeroporto por 30 euros a menos do que pagamos só pelo transaldo do aeroporto à Brasov. Mas o melhor nem foi a economia, e sim a experiência, o aprendizado. Não tem nada que me alegra mais numa viagem do que ser positivamente surpreendida, mesmo que isso signifique engolir meus preconceitos(aqueles que a gente jura não ter), mudar um conceito ou outro e colocar o rabinho entre as pernas: sim, você estava errada. E as pessoas do mundo afora constumam nos dar essa lição sem saber. Quem diria que num país de pessoas tão mal faladas e esterotipadas como a Romênia eu encontraria tanta gente legal, de coração puro, pronta para ajudar e receber o turista como todos os outros países deveriam.  É Romênia(e romenos), mesmo não sendo o país que mais recebe turista na Europa, você tem muito a ensinar sobre hospitalidade e gentileza!

So um adendo, pelo amor de Deus gente, eu não estou fazendo apologia à carona. Não estou lançando a campanha: Façam amor carona não façam guerra tour. Essa é a nossa experiência, eu me senti segura pegando carona, fui aconselhada pela informação turistica, mas cada um faz o que achar melhor para si.

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lilistahr

Uma capixaba morando em Londres há mais de 11 anos, e apaixonada pela capital britânica. Viciada em viagem, com uma queda por praias paradísiacas e destinos menos óbvios. Escreve todos os posts mas faz o blog junto com o marido, Klaus. Para saber mais sobre, clique no "sobre nós" na barra superior.

4 comentários em “O dia em que eu peguei carona na Romênia

  • Pingback: Castelo de Bran, Forte de Rasnov e Igreja de Prejmer em um dia | Catálogo de viagens

  • outubro 14, 2015 a 4:59 pm
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    Oi Liliana, voltei por aqui pra olhar o resto dos posts sobre a Romenia. Acho que vou seguir esse mesmo roteiro mas com pena do castelo de Peles estar fechado :/
    Legal esse post da carona maaaas você bem que poderia deixar aqui o telefone do seu novo amigo/motorista pra os que estão se programando p ir por la heim?

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    • outubro 15, 2015 a 9:19 am
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      Aurea,
      Eu até pensei em deixar e depois ponderei um pouco porque apesar de não ter tido problema algum,e de ter gostado bastante dele, eu não conehço nada dele, não tenho uma referência sequer e não quero indicar algo assim solto porque me sinto responsável, entende? Alugar carro é uma opção barata e tranquila, é que nós não dirigimos. Você pode usar um sistema de carona paga, chamada blablacar também, acho mais seguro.

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