Pela "desglamourização" da vida no exterior

Essa semana, enquanto eu carregava minhas 500 sacolas de compras, pensei: será que quem vê minhas fotos de viagem e acompanha um pouco da minha vida em Londres pelas redes sociais me imagina assim: carregando sacola, depois cozinhando, lavando louça, limpando banheiro? Acho que não. Desculpem dar essa noticia para vocês, mas a vida no exterior não tem glamour nenhum.

Big Ben vida no exterior

 Um tipico dia meu envolve acordar, colocar várias camadas antes de sair no frio, enfrentar um trem atrasado, ou metro lotado, ou trânsito. Ah, também envolve uma certa caminhada até qualquer uma das estações que eu decidir usar, porque tenho a sorte de morar perto mais de uma. Independente do meio de transporte público escolhido, sei que divido o espaço tanto com faxineiras  como com diretores de empresas. É normal, todo mundo passa ou vai passar pela sofrência de sardinha enlatada em Londres. Meu dia também envolve correr para a academia na hora do almoço, já que é a única hora que eu tenho. Almoço na mesa entre telefonemas e emails. Antes de voltar para casa, às vezes passo no supermercado. A mulher do caixa passa as compras numa rapidez “boltiana” e tenho que me apressar para colocar tudo dentro da sacola. Aqui não existe empacotador. Muitas vezes uso o caixa onde eu mesma tenho que escanear as compras e naturalmente ensacolar também. Divido com o marido as tarefas de casa, mas geralmente a comida fica por minha conta porque chego mais cedo. E aí com todo o luxo e glamour eu corto cebola, alho e faço a comida. Com muita riqueza o Klaus coloca roupa na máquina e estende também, assim como coloca as louças para lavar. Ah, mas como a casa é bem pequena, as roupas ficam num varalzinho portátil onde couber. Luxo puro! E vamos dormir tarde porque é muita coisa para um dia só, e o tempo que sobra para relaxar não é lá muito, mas a gente aproveita da melhor forma. Muitas vezes um dia tipico nosso envolve encontrar amigos, sair, etc. E aí toda a trabalheira da casa fica para outro dia. No final de semana rola um faxinão, feito luxuosamente pelas nossas mãos, já que não temos nem diariasta, nem empregada. Sábado é dia de feira também para mim, onde gosto de comprar verdura, legume e fruta, tudo mais barato. E volto eu para casa de busão cheia de sacola, lotada mesmo. É sofrível mas me divirto na feira, sempre me rende boas risadas. Sábado é dia de ir ao salão de beleza me emperequetar também né? Não. Eu faço minha unha, cuido do meu cabelo, e bem raramente me dou ao luxo de ter alguém para fazer isso por mim aqui em Londres. Assim como raramente uso agencia de viagem para comprar passagem aérea ou preparar o nosso roteiro de viagem, então somos nós que fazemos isso. E ó, dá trabalho dependendo da viagem. Quando a gente compra algo novo para casa precisamos montar com as nossas mãos. Porque a maioria das lojas aqui não faz esse serviço por você. A maioria das pessoas em Londres não tem carro, nós também não. O transporte público daqui funciona? Sim, claro. Você chega em qualquer lugar da cidade com 1:30 dentro do transporte. Mas enfrentamos atrasos, lotação, transito também. Talvez seja em escala menor que em outros países, mas temos problemas com o transporte público sim(quem usa a estação de London Bridge que o diga!). Quando saímos a noite voltamos de onibus noturno já que o metro/trem não funciona 24 horas. E mesmo quem tem carro não sai a noite de carro, porque aqui quem bebe não dirige MESMO.  Quando temos um compromisso do outro lado da cidade e alguma linha de metro/trem está parada, um carro faz falta sim. Assim como faz para colocar todas as compras dentro sem precisar carregar sacola, assim como faz quando o Klaus vai tocar e tem que levar baixo e amplificador metro a dentro. Mas preferimos não ter carro, e não é uma escolha dolorosa. Aprendemos a lidar com ela, e com todo o pacote de prioridades e escolhas que a vida em Londres nos trouxe e nos ensinou. Se precisar pintar a casa, colocar papel de parede, somos nós quem fazemos, não temos um faz tudo para isso. Aliás, lembro bem quando mudei para o apartamento onde estou agora, conheci o dono no dia que ele pintava a casa para mudarmos. O dono do meu apartamento vive de rendas, ele tem 6 apartamentos só no meu prédio e o nosso é o menor deles. Ele tem outras propriedades também e é provavelmente bilionário só com esses 6 apartamentos daqui. Ele mora no norte da Inglaterra, bem longe de Londres, mas veio aqui para pintar a casa, ele mesmo, antes de mudarmos. Ninguém estranha, isso é normal. Porque aqui é assim, todo mundo põe a mão na massa. Ser rico não é motivo para ter gente fazendo tudo para você o tempo todo. É como a sociedade funciona aqui. E a gente não sofre por isso, faz parte da vida. Isso porque, dentre outras coisas, qualquer serviço custa caro. Não me importo, acho justo. Quando dá zica, os expatriados aguentam a barra sem a família. E por isso a gente se apoia muito nos amigos, eles viram a nossa família aqui. E zica num país que não é o seu, onde você não tem um médico conhecido para ajudar, um advogado amigo para aconselhar, uma casa da mãe para correr,  é mais complicado. Mas assim como as alegrias, as zicas fazem parte da vida, e aprendemos a lidar com elas e com o fato de que temos que nos virar sozinhos. Tudo é uma questão de perspectiva, de como encarar essa responsabilidade de ter que fazer tudo por si mesmo com leveza.

Vista de Waterloo Bridge vida no exterior

O fato de pintar a casa, limpar o banheiro, lavar a louça, preparar a marmita, nada disso me faz menos feliz. Talvez me faça mais cansada um dia ou outro, mais rabugenta, mas não menos feliz. Como todo estilo de vida tem suas chatices, o nosso tem também. E sim, chatices as vezes enchem o saco, mas quem disse que outro estilo de vida não teria as suas? É o preço que pagamos para conseguirmos viajar, comer em restaurantes com frequencia, ir a shows, exposições, etc. O dinheiro que iria para o serviço a gente gasta com outras coisas… Não que eu nunca pague por esses serviços, que seja impossível ter uma manicure, ou uma faxineira. Eu vou ao salão também, pego taxi de vez em quando e às vezes pago sim para alguém fazer um serviço que eu estou cansada para fazer. Mas isso não é uma constante na minha vida, e está tudo bem. Porque a vida aqui é boa sim, não podemos reclamar, aproveitamos cada minuto dela. Londres é uma cidade que não para, tem opções de todo tipo de lazer e para todos os gostos. E a gente vive tudo que pode aqui, e tenta usufruir um pouco de tudo que essa cidade oferece.  Mas como vocês podem ver, uma vida boa nem sempre significa ter mil funcionários, uma casa hollywodiana, o melhor carro, etc. Uma vida boa, e cheia de viagens, de restaurantes legais, de shows, de museus, de festa, de amigos  também pode envolver ter que fazer a marmita toda noite com direito a lavar a louça depois.

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lilistahr

Uma capixaba morando em Londres há mais de 11 anos, e apaixonada pela capital britânica. Viciada em viagem, com uma queda por praias paradísiacas e destinos menos óbvios. Escreve todos os posts mas faz o blog junto com o marido, Klaus. Para saber mais sobre, clique no “sobre nós” na barra superior.

42 comentários em “Pela "desglamourização" da vida no exterior

  • Janeiro 20, 2015 a 6:24 pm
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    Bela reflexão, amiga.
    E o que importa, no fim das contas, é realmente a felicidade. Estar com quem amamos, em um lugar que nos proporcione momentos felizes e, principalmente, traga a sensação de segurança – pra mim, de nada vale empregada, manicure e pintor (regalias em geral) se não há paz e segurança. Prefiro mil vezes a ausência de glamour do que a de segurança! 🙂

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    • Janeiro 20, 2015 a 9:35 pm
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      Realmente, Nah. Sem segurança é difícil curtir as regalias. Para mim, elas não são nada importantes!

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  • Janeiro 20, 2015 a 7:54 pm
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    Assino embaixo, adaptando pro sul da França e adiciono: franceses levam farofa pra praia, dificilmente seriam bem recebidos em Guarapari pelo atual prefeito.

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    • Janeiro 20, 2015 a 9:37 pm
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      Aqui tb, Natalia. Farofa rola em qualquer lugar, basta estar um solzinho! Esse prefeito de Guarapari merecia uma coça, isso sim.

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  • Janeiro 20, 2015 a 9:54 pm
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    Lili, eu entendo o que você quer dizer com esse post e acredito que a maioria das pessoas tem mesmo uma opinião errada sobre a vida no exterior (eu inclusive, já que nunca morei fora), mas acho que também há uma glamourização da vida no Brasil por parte de quem mora fora há alguns anos. O Brasil já não é um país de mordomias fáceis. Isso você deve perceber quando bem aqui, mas a verdade é que aqui hoje tá tudo caro. Ter uma empregada hoje em dia é realmente mordomia. Ir ao salão toda semana também. Conheço muita gente que ainda tem esses luxos, mas se a pessoa não tiver um salário muito bom não sobra nada na conta no fim do mês. É aquela velha questão das prioridades. Aqui em casa somos nós que fazemos a faxina também, nós que reformamos nossos móveis, sou eu que faço minha unha, fazemos comida em casa, o Eduardo leva marmita pro trabalho… Isso pra ter condições de viajar todo ano e também de morar num lugar que nos possibilite ter mais locomoção. Eu vou a pé pro trabalho e o Eduardo de ônibus, mas pra isso a gente paga muito caro pela moradia. E o triste disso tudo é que a gente não tem nada da segurança que vocês têm na Europa ou nos EUA, não tem transporte público de qualidade, não tem escola pública boa para colocar os filhos… Então, quando coloco tudo isso na balança, eu invejo a sua vida aí. 🙁

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    • Janeiro 20, 2015 a 10:37 pm
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      Camila, quando eu morava no Brasil, andava de ônibus, fazia minha unha e não tínhamos faxineira em casa. Sei bem como são as coisas, e vejo muito claramente que as coisas mudaram e que os serviços estão cada vez mais caros. Entendo que a gente pode glamourizar a vida aí, a saudade faz a memória fica seletiva, rs. Mas no meu caso é mais pelo estilo de vida perto da praia e da família que eu tinha antes, do que pelos serviços em si. Não sinto tanta falta deles para dizer a verdade. Escolas publicas boas existem várias em Londres, é verdade. Mas para estudar numa escola publica boa mesmo é preciso morar num bairro muito bom, o que custa MUITO dinheiro, pelo menos em Londres. Qualquer quarto e sala num bairro bem bom em Londres vai custar 1300 libras, e acho que estou chutando baixo. Mesmo com as mudanças do Brasil, acho que ainda vai demorar para chegar no nível de “do it yourself” daqui. Aqui não existe trocador de ônibus, nem empacotador como eu disse, nem para te atender na mesa, nos pubs você precisa se servir, não há frentista. Ainda existem pequenas mordomias no Brasil, mesmo depois de tanta coisa tendo mudado. É que já é tão natural para quem está aí que passa despercebido. O conceito de você é responsável por si mesmo e nada mais. Para você ter uma idéia, tem um cara de trabalha comigo, que tem uma casa enorme, deve ter um bom salário, tem carro e uma vida confortável, mas seu filho entrega jornal além de estudar, porque pai e mãe aqui não dào mesadinha para filho de 17 anos. E eu acho tudo isso bem positivo. Mas muita gente não tem essa noção e acha que aqui todo mundo vive a vida que Hollywood mostra para eles. Muitas pessoas que eu conheço, muitas mesmo, não deixam de ter essas mordomias no Brasil, mas ao mesmo tempo não tem as viagens que a gente tem, e outros luxos que para nós são mais importantes. Quantas vezes eu ouvi que tenho um vidão, como se eu só viajasse, vivesse na boemia e meu dinheiro crescesse em árvore. Quanto à segurança, é triste mesmo. E o pior que parece um tunel sem fundo. Aqui a violencia já cresceu muito. Eu mesma tive meu telefone celular arrancado da minha mào na frente de casa. Mas nem se compara ao Brasil. Não saio de casa com medo, nem vivo numa paranoia eterna como as pessoas vivem aí. Deus me livre!

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      • Janeiro 21, 2015 a 11:20 am
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        Acho que a gente está muito longe de se equiparar à Inglaterra mesmo, principalmente na mentalidade, mas o que eu quis dizer é que minha rotina não é muito diferente da sua, sabe? Só que o ambiente em que vivo é bem diferente, por isso acho que as coisas aqui são mais difíceis (claro que não estou levando em conta a distância da família e tal, tô falando das condições de vida). E aqui também sinto esse julgamento que você sente aí. Devo ser rica porque viajo todo ano,né? Mas ninguém vê que no final de semana eu estou lá em casa fazendo faxina, que eu não tenho as roupas da moda, que não ostento um estilo de vida incompatível com o que ganho. Já teve colega de trabalho que ganha o dobro do que eu ganho que teve a coragem de dizer que gostaria de ter condições de viajar como eu. Nem respondi, porque, ah, nem compensava, né?

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        • Janeiro 21, 2015 a 11:48 am
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          Camila, eu espero do fundo do meu coração, que a cabeça das pessoas no Brasil mude com o tempo, e que eu encontre mais pessoas como você por aí. Eu ouço isso que você ouviu de tanta gente. Gente que ganha MUITO mais do que eu. Enfim, cansei de falar, deixo pensarem que sou rica e convido para ficar na minha casa para ver minha realidade,rs. beijão, querida!

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  • Janeiro 20, 2015 a 11:45 pm
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    Sério, Lili? Eu jurava que sua vida era andar de limusine e conhecer um pub novo a cada noite!!!! Rá!!! brincadeira…
    Muito legal o seu post. Realmente a gente precisa desmistificar esse glamour que existe, sim, nessa vida pós-redes sociais (principalmente instagram). É inegável que aqui no Brasil a coisa é bem mais “fácil” nesse sentido da prestação de serviços, apesar de estar ficando insustentável pelo preço (o que é bom, sinal de que a condição de vida das pessoas está melhorando e nem todo mundo mais topa fazer qualquer coisa por um preço baratinho!). Mas eu concordo com a Camila num ponto: com a qualidade dos serviços públicos por aí é mais fácil adotar um estilo de vida mais independente, digamos assim. Você bem sabe como é o transporte público aqui em Vitorinha (muito embora eu o utilize bastante, inclusive para ir ao trabalho, porque tenho condições de fugir dos horários de pico). Mas abrir mão do carro por aqui, pelo menos pra mim, é algo ainda um pouco distante, mas que eu espero um dia chegar lá.

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    • Janeiro 20, 2015 a 11:53 pm
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      Claro, Tiago. Viver sem carro no Brasil é muito difícil. Eu não conseguiria viver sem em Vitoria. Realmente os serviços públicos aqui são incomparavelmente melhores. Mas não estou comparando. Só querendo mostrar que minha vida de viagens, de restaurantes, de musicais tem seu preço. E sei que fazendo as devidas adaptações, como a Camila mesmo disse que faz, da para ter essas mesmas coisas no Brasil, ou em qualquer outro lugar. São escolhas. É que muita gente tem tanta mordomia ha tantos anos que nem consegue imaginar a vida sem ela. E não pensa que talvez sem uma empregada, ela teria dinheiro para viajar ou fazer outras coisas que a gente que mora fora faz. A diferença que a gente vive sem essas mordomias naturalmente, já faz parte do fluxo natural da vida aqui.

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  • Janeiro 21, 2015 a 9:43 am
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    É, faz sentido toda a reflexão. Comecei discordando contigo, mas terminei concordando. hehe Isso porque pelo que entendi tu não estás reclamando, na verdade, mas sim dizendo justamente que não precisa do luxo o qual a galera imagina que a gente viva. O que concordo mais que 100%.
    Mesmo com todos os “problemas” que temos com transporte aqui eu não reclamo. Ainda mais vindo de uma vila no Brasil onde tinha ônibus a cada 2 horas mais ou menos. Por mais corrida que seja a vida londrina, ela é que me faz feliz e realizado, então vamo que vamo! 🙂

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    • Janeiro 21, 2015 a 11:41 am
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      Rafael, eu me sinto no direito de reclamar do transporte sim, afinal de contas eu pago (muito caro) por ele. E não é porque ele é melhor do que o transporte da minha cidade natal que eu não posso reclamar. É como dizer: não reclama da violência do Brasil porque no Afeganistão é pior. Mas enfim, a felicidade depende mais de escolhas(materiais ou não) do que de ter essas mordomias que muita gente julga essencial, quando na verdade é só um luxo. Abraço!

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  • Janeiro 21, 2015 a 11:22 am
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    Excelente texto! Estamos acostumados a meter o pau no Brasil e, com razão, a maioria das vezes, como se em outros países não houvesse problemas. Quando estive em Paris pela primeira vez e fiquei mais de 1 mês na cidade, fazendo o que os locais fazem, minha primeira conclusão foi que moramos muito bem – me refiro a espaço. Que há problemas no transporte, como aqui e que não há os tipos de serviços que estamos acostumados, como vc falou. Paris é linda, mas prefiro continuar a visitar. É tudo uma questão de escolhas e prioridades. O importante mesmo é ser feliz e aproveitar a vida, não importa o lugar. beijos

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    • Janeiro 21, 2015 a 11:50 am
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      Isso mesmo, todo lugar tem seus problemas . E essa questão de espaço é uma dos motivos que me faz pensar em voltar. Quando eu penso o tanto que eu pago para morar numa casa tão pequena. e o quanto custa comprar uma apartamento aqui, fico desanimada. Mas sigo amando Londres mesmo assim. bjs!

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  • Janeiro 21, 2015 a 12:42 pm
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    Super legal o texto, aqui na Irlanda é quase a mesma coisa. Não conhecia o blog, vou começar a seguir.

    Só uma dica de “diagramação”, mais parágrafos e espaço entre as linhas (se o Tema permitir). Vai facilitar a leitura;)
    Sucesso!

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    • Janeiro 21, 2015 a 12:48 pm
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      Obrigada! O tema não permite… Só consigo dando um espaço muito grande entre um parágrafo e outro. Ai no final acabo com um texto muito maior. Algo que eu preciso rever, o tema. Mas obrigada pela sugestão. 😉

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  • Janeiro 21, 2015 a 1:02 pm
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    Concordo plenamente com o seu ponto de vista. Muito bom o seu texto, pois há muitos brasileiros que vão com expectativa bem grande quando vão para fora. E não se dão conta que aqui no Brasil tem-se certas mordomias e facilidades de serviços que ai fora não existem por conta da valorização dos profissionais que prestam serviços. Ficou bem claro o que vc quis dizer, li seu texto esperando que falasse mal dai (pois estou planejando minha mudança para ai), mas disse somente a realidade e o que eu acabei conhecendo depois de passar ai 3 meses.

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    • Janeiro 21, 2015 a 5:39 pm
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      Adriane,
      falar mal não. Londres é minha casa. Eu brigo com ela às vezes, mas passa, hahaha. Mas a realidade, como de qualquer outro lugar, não é perfeita. Perfeição não existe. Tem dois lados como tudo nessa vida, né?

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  • Janeiro 21, 2015 a 2:41 pm
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    Glamour é morar em Londres, pois eu e minha esposa fazemos tudo isso e mais um pouco pois temos uma filha de 3 anos que é elétrica e vai dormir tarde todo santo dia, eu levanto as 5 da manhã pra começar a minha rotina, minha esposa levanta as 6, e eu adoraria ter essa rotina em Londres, Paris, Roma, Ontário, New York e outras cidades mais, pois aqui em São Paulo não temos muitas opções de lazer e diversão. Quando tem um feriado (que por sinal aqui são muitos) tente, só tente ir para a praia, serão horas de agonia dentro do carro em um percurso ridículo que se faz em 50 minutos ou 1 hora em dias normais. E quando chega a hora de voltar pra São Paulo o mesmo tormento e quando se chega em casa parece estar mais cansado do que quando saiu. Sim morar fora do Brasil é glamouroso. Daria meu braço direito pra sair do Brasil, amo meu país mas com este governo não dá mais. Falta educação, saúde, segurança, água, energia elétrica, transporte de qualidade, e muito mais sem contar que o que pagamos de imposto aqui deveriamos ter a qualidade da cidade de DUBAI. Abraços.

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    • Janeiro 21, 2015 a 5:49 pm
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      Jairo,
      Para ir a praia aqui nos feriados é a mesma coisa. Transito infernal para ir e voltar nas estradas. E a qualidade da cidade de Dubai é meio duvidosa, já que transporte público lá é terrível e também é preciso ter carro. Sem contar na falta de liberdade, já que não adianta muita coisa ser seguro sem ter liberdade para fazer o que se quer. As pessoas com pouco dinheiro lá não tem uma vida fácil. Eu acredito que muita gente no Brasil tenha essa rotina que eu tenho aqui em Londres. Minha mãe é uma delas que cuida dos pais, não tem carro, nem faxineira, etc. Mas eu só quis dizer que não tem glamour morar fora, e acredito que já tendo morado no Brasil e morando aqui há 11 anos eu posso falar de cadeira. Não tem. Se você discorda, eu respeito. Abraços

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  • Janeiro 21, 2015 a 5:25 pm
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    Moro em UK há 6 meses, vendi TUDO no Brasil, tinha casa, carro, empregada, babá, clube …tudo que uma pessoa gostaria de ter, sou dentista, meu marido fisioterapeuta e quiropraxista, tenho 3 filhos e por eles resolvemos dar essa virada na vida. Nesse pouco tempo, já trabalhei de cleaner, numa warehouse e meu marido entrega pizza. nada comparado ao glamour que tinhamos.Não vou dizer que está sendo fácil….absolutamente. Escolhemos morar no interior, por ter mais tranquilidade, continuo tendo carro (o meu custou 150 libras, o que equivale à 600 reais, um mondeo 2003), tb fazemos tudo e meus filhos estão aprendendo a serem gente, não crianças mimadas como as que conheço no Brasil.
    Acredito que ainda temos um ongo caminho, estamos tentando a revalidação e a lingua ainda é uma barreira, mas sei que atingiremos nosso objetivo.
    Te convido pra dar uma lidinha no meu blog e agradeço esse lindo post….aqui não há glamour….mas vivemso uma vida sem medo e sem dúvida somos respeitados.
    Meu blog é: derepenteinglaterra.blogspot.com
    Bjos.

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    • Janeiro 21, 2015 a 5:51 pm
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      Andrea,
      mudar é uma decisão complicada, mas se você trabalhar duro para alcançar seus objetivos, as coisas acontecerão. Essa é uma vantagem de Londres, há muita oportunidade, basta a gente querer e correr atrás. Obrigada pela vista, vou passar para conhecer o seu blog!

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  • Janeiro 21, 2015 a 7:08 pm
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    Na verdade podemos resumir assim, o que vale é ser feliz, e ser feliz é poder viver, sem ter que se esconder, ou aventurar-se, o que é a vida no Brasil hoje.
    Parabéns pelo post, muito lúcido.

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  • Janeiro 21, 2015 a 9:27 pm
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    Morei em londres tb e digo: o metr de londres lotado ainda é muito melhor que o metro do rio de janeiro, as coisas funcionam, vc consegue se mover rapidamebte por toda a cidade e a qualidade de vida é muito melhor.

    No rio: tudo é caro, metrô insuportavelmente quente, e é uma linha reta.

    Demoro 1:30 pra chegar ao trabalho aqui percorrendo 12 km de metro enquanto em londres demoeaca 20 min pros mesmos 12 km

    Responder
    • Janeiro 21, 2015 a 9:40 pm
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      Gean, esse post nao foi feito para comparar a vida em Londres com a vida em lugar nenhum. Foi para mostrar que a vida em Londres não é a vida na ilha de caras que todo mundo pensa. Eu vou tirar foto um dia da entrada do metro de Bank as 5:30 para vc ver. Para chegar na plataforma a gente demora uns 15 minutos. Mas enfim, acho que muita gente nao entendeu o espirito do post. Que nao foi falar mal de Londres, e sim refletir no estilo de vida que muita gente leva aqui. Abs

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  • Janeiro 22, 2015 a 12:07 pm
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    Lili, gostei do seu post e do seu blog. Acho mesmo que as pessoas no Brasil tem a ideia de que é tudo moleza por aqui, por ser um país de primeiro mundo. Mas também tem suas dificuldades, como tem suas vantagens (ou então não estaríamos aqui, certo?). Parabéns pelo texto e por mostrar a vida como ela é! Também tenho um blog sobre a vida em Londres, dá uma passadinha lá depois: http://www.londonbynath.wordpress.com

    Beijos!!!

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    • Janeiro 23, 2015 a 8:21 am
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      Nathalia, eu quis exatamente mostrar o outro lado que muita gente não conhece. Vou olhar o blog. Volte sempre!

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  • Janeiro 23, 2015 a 1:23 am
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    Oque eu ia escrever é exatamente o que a Camila ja disse. Aqui na minha cidade nao tem empacotador faz tempo nos mercados, é raro encontrar algum que tenha.
    Meu exemplo aqui no Brasil eh uma amiga que nunca teve diarista, aprendeu a fazer furo na parede sozinha, faz comida em casa e agora tem um filho e cuida sozinha! E sei que isso eh por opcao, pois tem condicoes de pagar se quisesse. Claro que ela tem mais tempo que as pessoas comuns, pois nao trabalha 8 horas, talvez umas 5 em negocio da familia, mas mesmo assim, eu admiro.
    As vezes nao eh nem so por questao de dinheiro que vale a pena fazer por conta. Eu faco minha manicure sozinha por causa da higiene tambem. Sou alergica a alguns esmaltes, levava alicate e esmalte quando as vezes ia na manicure ai achei que deveria fazer por conta e faz tempo que nao vou. Quando resolvo ir, me arrependo porque nao sao boas como acho q deveriam ser.
    E para vc ter uma ideia de preco, para instalar os metais de banheiro, precisei fazer uns 10 furos e me cobraram mais de 200 reais!! Achei um absurdo!

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    • Janeiro 23, 2015 a 8:20 am
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      Kaori, minha prima disse que queriam cobrar 200 reais para consertar a descarga da casa dela, que mora no Rio onde tudo é super caro. Foi quando ela e o marido começaram a aprender a fazer tudo sozinhos tb. Mas como eu disse minha intenção nem foi comparar com o Brasil. Foi exatamente mostrar que a minha vida aqui é tao difícil quanto ai. Muita gente não tem essa noção, eu acho. Logico tb que muitas amigas minhas não tem essa realidade difícil que vc e a Camila descreveram. Isso ainda é exclusivo de cidades grandes e pessoas mais conscientes ou que tem prioridades diferentes da maioria da população. Bjs!

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  • Janeiro 24, 2015 a 12:32 am
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    Oi Lili!
    Adorei o seu post e concordo muito com tudo isso. O pior é quando eu escuto do pessoal que ganho em libra e que não tenho o direito de reclamar, pois moro em Londres, e não mais em SP.
    A gente posta coisas em nossos blogs, fotos no instagram e as pessoas acham que não existe dificuldade, que tudo é sempre as mil maravilhas. Ninguém vê e entende os tombos que levamos e dificuldades que passamos. E não querem tentar nos entender, porque muitas vezes acho que o pessoal desvaloriza bastante algumas partes do Brasil (SP no meu caso) e valoriza demais o que está da porta para fora.
    Todo lugar tem seus prós e contras, claro. Mas a grama do vizinho é sempre mais verde….
    Podíamos marcar um dia para nos conhecermos. Adoraria 🙂
    Bjos

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  • Janeiro 26, 2015 a 4:09 pm
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    Moro no Brasil, mas nos últimos anos tenho tido a chance de visitar a filha que foi morar na Itália. Então: fiquei conhecendo a saúde pública quando nasceram os netos; a vida diária, as compras, o supermercado. Agora percebo: como somos preconceituosos, nós, os brasileiros. Me choca, agora, assistir o funcionário submisso colocar nossas compras em vaaaarias sacolinhas de plástico.

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  • Janeiro 26, 2015 a 11:48 pm
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    Lili. Sobre a questao de fazer as coisas sozinho/a. Acho q isso tem mais a ver com prioridades mesmo e estilo de vida, independente de onde se mora. Ainda existe aquela noçao de que quem viaja pro exterior eh rico / burguês. Uma vez uma ex colega me chamou de burguesa, mas depois descobri q ela tinha empregada, nao fazia comida, etc..para sustentar alguns estilos de vida realmente nao sobra muito para o restante! Acho q algumas pessoas tem a necessidade do imeditao (ter a casa limpa sem esforço) ou são mais preguiçosas mesmo! No final tem que ver oq cabe no orçamento de cada um, porque eu acho q o dinheiro é para nos trazer conforto.
    Vejo que algumas pessoas que teriam condiçoes de fazer viagem internacional às vezes não fazem por medo, não saberem inglês, medo do desconhecido. Não somente falta de dinheiro.

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    • Janeiro 27, 2015 a 8:02 am
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      Verdade Ka! Cada um tem uma prioridade e faz o que bem entende com o que ganha. Essa de ter medo também acontece, ne? Eu esqueço pq isso é um pouco fora da minha realidade atual, já que na Europa os paises são tao colados e pequenos que todo mundo já nasce viajando. Não precisa de muito dinheiro aqui para isso. Tem gente que simplesmente não gosta de viajar também. Enfim, não precisa viajar, cada um faz o que prefere. Só não me chame de rica pq eu moro em Londres e gasto o meu dinheiro viajando, né? Bjs

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  • Fevereiro 3, 2015 a 7:35 pm
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    Gente, é a minha opiinião mas é um texto MUITO burguês side-of-view. Por que, assim, essa é a minha vida no Brasil, mas no transporte realmente lotado e caro, sem paisagens lindas, correndo o risco de ser assaltada de cinco em cinco minutos. Então, desculpa aí, pra mim isso é MUITO glamour o que você tem. Mas deve ser porque eu ser pobre no Brasil é mais difícil que ser pobre aí eu acho. Abs.

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    • Fevereiro 4, 2015 a 5:54 pm
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      Débora,
      Lamento que você tenha levado para o lado pessoal, mas não falei da sua realidade, nem do Brasil, nem da China. Falei da minha realidade. Minha experiência em Londres não é uma opinião, é um fato, por isso sou categórica dizendo que não há glamour. Vai ver tudo é uma questão de ponto de vista, já que um morador de rua também deve ver glamour na sua vida, enquanto você não vê luxo algum. Por fim, te convido a usar a Northern line na estação de Bank às 17:30 de uma segunda feira e depois me conta 🙂 Abraço

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  • outubro 19, 2015 a 8:12 am
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    Conheci o Blog agora atraves do 360meridianos e adorei!
    No momento estou morando na Turquia e mesmo não sendo o país sonho dos brasileiros as pessoas ainda tem essa visão de que ao sair do Brasil a vida vai melhorar 100% e será só glamour. Quem dera se fosse fácil assim né? hahahaha
    Na verdade a minha vida antes era muito mais “fácil” por já conhecer tudo e saber a quem recorrer na hora de um aperto. Aqui, por ter uma cultura (e língua) totalmente diferente, não é nada fácil…
    E mesmo como tudo isso não tem jeito, a gente adora morar aqui! (seja Inglaterra, França ou Turquia)
    Ótimo texto e ótimo blog, ganhastes mais um leitor!

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    • outubro 23, 2015 a 3:17 pm
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      Obrigada, Arhtur! Fico feliz que tenha gostado, de verdade. Volte sempre!

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