7 coisas que já fiz em viagens e me arrependo

Quem nunca se arrependeu de fazer algo ainda não viveu o suficiente. E na vida de viajante não é diferente. A gente aprende viajando errado também. Segue aí algumas coisas que já fiz viajando ou pensei a respeito de viagens das quais me arrependo ou mudei de idéia!

1)Subir em monumentos– Sim, hoje eu acho uó mas confesso, já fiz no passado. Alguns monumentos foram feitos para interagir, mas caso contrário não. O leão de Trafalgar Square em Londres não foi feito para as pessoas subirem nele, esse tipo de atitude não ajuda a preservar nenhum monumento!

Quando você sobe em um monumento em homenagem... às vitimas do holocausto Que vergonha!
Quando você sobe em um monumento em homenagem… às vitimas do holocausto. Que vergonha!

 

2)Diferenciar turistas de viajantes- zzzzzzzzz muito sono… Sim, eu já  diferencei turistas e viajantes. Colocando turistas no fundo do poço e os viajantes em algum pedestal santificado por aí. Você só não é turista se mora no lugar. O fato é que cada um viaja do seu jeito e já passou da hora de respeitar a maneira que cada um escolheu viajar. Desde que isso não desrespeite ou atrapalhe o local visitado e seu povo(vide russas de biquini em pleno Cairo), não ter razão de se achar um ser melhor que o outro porque fulano é turista e eu sou viajante. Tem muito “turista” ficando em 5 estrelas mas contratando um guia que mora na cidade, tem negócio próprio e gerando dinheiro para a economia local. E tem muito “viajante” ficando em hostel de australiano rico na Ásia achando que está super integrado na cultura local. Não tem problema algum ficar em 5 estrelas nem ficar em hostel de australiano, o problema é achar que você é “diferenciado” porque fez isso ou aquilo. Pessoas são diferentes, gostam de coisas diferentes e a gente precisa respeitar isso sem sair colocando rótulo em tudo.

3)Ir a atrações com animais- Gente, isso é uma coisa que me envergonha. Eu já fui a parque de tigres e montei em Elefante na Tailândia. Você vê como eles tratam os animais e mesmo lugares que pregam fazer o bem, ou o famoso “pela preservação” não me convencem muito. Depois da nossa ultima ida a um zoológico eu decidi nunca mais fazer isso. Estávamos em Cingapura em 2014, e vimos um tucano preso numa jaula tão minuscula, num zoológico que tem uma área super grande e se diz tão bom para os animais. Mas não foi isso que pareceu ao ver o pássaro preso ali. 10 anos antes havimos visto um mesmo tucano solto, na serra do caparaó enquanto coversávamos. Foi incrível,  nunca vou me esquecer do tamanho da sua asa e de vê-lo voando. Na hora que vi aquele tucano preso me veio à lembrança o dia na Serra do Caparaó e a minha vontade era soltar aquele bicho. Que tristeza. Saí de lá dizendo que jamais voltarei a um zoológico na vida. Pretendo cumprir a promessa.

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4) Ignorar pontos importantes ou a história do local- Ok, não vou dizer que eu saio pesquisando tudo timtimportimtim sobre os lugares onde vou. Gosto de pesquisar sim, mas ainda vou às cegas para alguns lugares hoje em dia sim. Costuma ser ótimo com ou sem pesquisa. Mas já fiz umas coisas das quais não digo que me arrependo, mas poderia ter feito diferente. Um exemplo é quando passei meses em Salvador sem sequer ter entrado em uma igreja, visto um monumento( a não ser que os monumentos estivessem na rota do trio elétrico,rs) Em compensação, sabia de todos as festas, as melhores praias, etc. Só fui ao Pelourinho para ver o ensaio do Olodum e para a lavagem. E foi maravilhoso. Mas fiquei tanto tempo na cidade que é uma pena não ter conhecido nada histórico. O detalhe é que ja fui algumas vezes. Hoje eu aprendi a curtir mas dar a devida atenção ao que merece.

5) Não apoiar o trabalho nativo- muitas vezes a gente viaja para um local mais diferentão e acha que precisa de tudo internacional porque é “mais confiável”. Quando fui ao Egito decidi fazer uma viagem com guia, ficando em hoteis 5 estrelas e tudo que tinha direito. Foi maravilhoso e não me arrependo. Mas eu contratei tudo por aqui pela Inglaterra. Fechei o pacotão com uma empresa grande que por sorte gera muito emprego para os egípcios também. Só que se fosse hoje eu consideraria uma agência local para fazer o serviço. A tendência de muitos países pobres é ser engolido por empresas grandes de países ricos, fazendo com que as empresas locais tenham que fechar suas portas ou mudar seu estilo de serviço(nem sempre para melhor) para atender ao novo mercado. Quando fomos à Tailândia ficamos no único bangalô da ilha de Koh Lipe que tinha um proprietário da ilha. Enquanto os resorts estavam lotados, ele tinha um dos seus 4 bangalôs vazios. O bangalô era pé na areia, numa praia praticamente particular, simples mas  super limpinho. Uma pena. Não digo que nunca mais vou comprar produtos que não são locais ou não ficar em hoteis de rede e tal. Nem que fazer isso é errado. Claro que não. Mas hoje em dia eu sempre pesquiso se dentre os hoteis que eu quero ficar  tem algum opção nativa, o mesmo para produtos que quero comprar, serviços, etc. É uma maneira de não só passar pelo país onde você vai visitar, mas fazer alguma diferença.  Nossa prainha particular em Koh Lipe na Tailândia, onde o dono é um nativo. Nada mal, hein?

 

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6)Gincana- Já falei tantas vezes das gincanas viajantes. Tem post adoidado sobre isso no blog. Clique aqui para ler um e aqui para ler outro.  Resumindo, gincana viajante é quando você não vai de férias, vai cumprir tarefa, mas em forma de viagem. Você tem que visitar 500 museus, ir a 30 restaurantes imperdíveis, ver o por do sol em 25 lugares diferentes, conhecer 200 igrejas e possivelmente dormir 5 horas por noite para fazer tudo que quer. O resultado costuma ser o mesmo sempre: você riscou vários lugares do seu caderninho, voltou mais cansado do que foi, gastou mais do que devia e ainda assim é provavel que tenha voltado culpado por não ter conhecido tudo que queria. A conclusão é simples: essa é uma gincana que você dificilmente ganha. Sempre vai faltar algo para conhecer, fato! Então por que não curtir o que você pode no tempo que você tem? Ou estender a estadia? Eu já fiz muita gincana mas hoje em dia tenho 2 regras: quando posso, estendo a estadia no local. Quando não posso, vejo sem pressa o que dá para ver no tempo que eu tenho. Tem quem goste de correria, e não condeno. Só não é mais para mim. Se pudesse voltar no tempo eu teria viajado para tanto lugar de uma maneira diferente…

7) Valorizar/Contar o número de países- Uma variação/continuação do item acima. Sim, eu já achei o máximo dizer que visitei nãoseiquantos países. Não serei hipócrita e dizer que não me orgulho de já ter visitado tanto lugar diferente, ou que me sinto feliz de já ter ido a lugares que jamais pensei em visitar. Mas não é o número. Isso não faz tanta diferença até porque isso não significa muito além de um número. Eu ainda gosto de ir a lugares diferentes e que nunca visitei pelo novo, por aquele friozinho na barriga sabe? Mas às vezes a gente não quer exatamente esse friozinho na barriga, e aí nada como rever uma cidade para se sentir em casa, para relaxar! Então eu não quero valorizar algo que na verdade nem tem tanto valor. Quantos viajantes só conhecem o Brasil e tiveram experiências muito mais enriquecedoras que muita gente que já viajou meio mundo? Também já falei sobre isso, clique neste link para ler. 

 

E você, se arrepende de algo que já tenha feito numa viagem?

 

 

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lilistahr

Uma capixaba morando em Londres há mais de 12 anos, e apaixonada pela capital britânica. Viciada em viagem, com uma queda por praias paradísiacas e destinos menos óbvios. Para saber mais clique no “sobre” e escolha “sobre mim” na barra superior.

6 comentários em “7 coisas que já fiz em viagens e me arrependo

  • setembro 20, 2016 a 8:36 am
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    Adorei, Lili. Super concordo com as “gincanas”. Fiz isso uma vez pra nunca mais. Foi super cansativo, nao exploramos direito os locais, so batiamos foto e iamos embora. Uma pena.
    Tenho que confessar que eu ainda sou meio “medrosa” em comprar coisas/servicos de empresas locais. Eu acabo ficando mais segura sabendo que to lidando com uma grande empresa. Mas adorei teu relato e certamente vou levar a dica pra frente. No futuro me aventurarei mais.
    By the way, se quiser dica de uma pousada em Jericoacoara (quando voce for, porque voce TEM que ir la!!) tenho uma maravilhosa. Eles so tinham 6 quartos, localizacao perfeita e o servico INCRIVEL! Nao era muito barata mas valeu cada centavo. Chamava “Casa na Praia”. 🙂
    Beijao

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    • setembro 20, 2016 a 4:25 pm
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      Ixi Thais, já fiz inumeras gincanas até chegar a essa conclusão de hoje! E essa pousada em Jeri era tudo que eu queria!

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  • setembro 20, 2016 a 9:31 am
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    Muito bom! Confesso que não lembro de ter feito nenhuma dessas coisas! Mas uma vez eu ia andar no elefante, na Tailândia! Ele ficava parado bem na porta do meu quarto de hotel, em Pukhet. Reservamos o passeio, mas, na noite anterior, sonhei com a elefanta (era fêmea no meu sonho)! Ela chorava e me pedia para não montar pois sofria muito! Lógico que cancelei o passeio e só depois fiquei sabendo dos horrores que fazem pra domesticar um elefante!

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  • dezembro 15, 2016 a 11:21 am
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    Super concordo. Já viajei muito como gincana! chegava e tirava a foto na frente do monumento, e saía correndo pro próximo! Nem olhava pra nada, nem parava para sentir a história daquele local. Viajei por lugares incríveis na Europa e muitos deles eu só lembro pela foto, porque passou tão rápido que não ficou na memória de verdade. É um arrependimento muito grande mesmo.
    Sobre zoológicos, tem um local que recomendo muito pois conheço o trabalho sério dos pesquisadores que trabalham lá: O Parque das Aves em Foz do Iguaçu. Já foi? Esse é o único lugar que visitei até hoje que posso dizer sem sombra de dúvida que não maltrata animais. É fantástico!
    Meu próximo post será sobre ele 🙂

    parabéns pela escrita deste, abraço

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    • dezembro 16, 2016 a 4:30 pm
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      Juliana,
      Nunca fui ao parque das aves. Legal saber que ainda há esperança para esse tipo de turismo, mas eu confesso que fico desconfiada até o ultimo minuto!abs e obrigada

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