Precisamos nos desconectar

Você e seus amigos estão num restaurante e chega aquela comida linda. Qual a primeira coisa que todo mundo faz? Come, certo? Não, resposta errada. Todo mundo tira foto.

Você está naquele lugar lindo, chega naquela praia maravilhosa, e qual a primeira coisa que você faz? Mergulha no mar azul para refrescar, certo? Não! Você tira foto, faz video e posta.

Você chega naquela cidade que sempre sonhou em conhecer e qual a primeira coisa que faz? Liga para alguem especial que sabia desse seu sonho para dividir esse momento? Não! Você procura pelo primeiro Wifi disponivel para mostrar ao mundo.

 

Algum problema com isso? Não exatamente. Eu sempre fui uma entusiasta da internet, sempre fui daquelas que tem todas as redes sociais e usa ativamente, nunca vi muito drama em dividir um pouco da minha vida, etc. E bom, tenho um blog. Então é bem possível que eu divida a minha vida um pouco mais do as outras pessoas.

Quando você é blogueiro de viagem essa exposição e necessidade de estar conectado triplica, quadruplica. Acontece que até eu que sou das mais animadas com o mundo virtual tenho me cansado utlimamente disso. Vejam bem, tenho me incomodado comigo e com a MINHA necessidade de estar constantemente conectada, não com o contrário. A companhia de vocês aqui e nas redes sociais ainda são uma das razões que me mantem blogando. Mas como boa geminiana que sou, tudo que vira obrigação demais começa a me chatear. O fato de ter que estar o tempo inteiro em conversa com mundo tem me causado um pouco de chateação. E tenho parado para pensar sobre isso. Será que a gente precisa realmente estar tão conectado assim? Não erramos a mão em algum ponto desse bolo?

Tem muita gente que trabalha com internet que acha o equilibrio disso. Mas geralmente essas pessoas são mais apaixonadas pelo assunto sobre o qual falam do que pela internet em si, e eu sou uma apaixonada por ambos. Adoro tecnologia e amo ainda mais viajar. Misturar os dois em forma de blog sempre me deu um imenso prazer, mas talvez eu tenha perdido o ponto em algum lugar do meu caminho. E foi essa semana que consegui voltar a ler depois de um limbo de 3 anos. Foram 3 anos começando livros sem conseguir terminar. A internet tem tudo a ver com isso, e só consegui reencontrar o prazer na leitura após me desligar minimamente. Mas esse post não é sobre mim, é sobre nós. A geração que pergunta primeiro se “tem Wifi?” antes de dar bom dia .

Não vou fazer a linha”vida real x vida virtual”. Já disse um milhão de vezes que eu vejo uma sendo a continuação da outra. Mas será que já não perdemos a linha? Não seria uma boa hora da gente se desligar um pouco dessa necessidade de dividir tudo com o resto do mundo? Ou dividir mais conhecimento do que a nossa vida? Sinto muito se você esperava respostas. Essa ainda estou buscando, por isso este é mais um post de perguntas mesmo. Para a gente refletir nessa cultura de “se não postei não fiz”.

Quem mais aí ainda cansado desse big brother da vida real?

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lilistahr

Uma capixaba morando em Londres há mais de 12 anos, e apaixonada pela capital britânica. Viciada em viagem, com uma queda por praias paradísiacas e destinos menos óbvios. Para saber mais clique no "sobre" e escolha "sobre mim" na barra superior.

16 comentários em “Precisamos nos desconectar

  • dezembro 7, 2016 a 12:34 pm
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    Compartilho 100% do sentimento. E reforço aqui: o que me incomoda é como EU tenho usado a internet, de quanto tempo eu passava atualizando posts, criando snaps, postando fotos… Isso me bateu forte na viagem em agosto e consegui desligar. A experiência virou um hábito e agora consumo muito mais do que produzo, ou seja, sem obrigações. Temos aqui um tempo livre esperando o ônibus, pq não?
    E também rolou comigo a parada do livro. Com mais tempo, li uma pá de livros nesse último semestre, um número que nem se compara aos 2 que eu devo ter lido no primeiro semestre do ano. Rolou uma grande sensação de liberdade, não esconderei. Que continuemos assim, dando chance ao diferente. 🙂

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    • dezembro 8, 2016 a 11:46 am
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      Esse lance do livro me fez sentir tão bem! Estava me sentindo uma anta ultimamente, por no final das contas a gente só encontra com os amigos que fez online, bate papo sobre a vida online etc. Deu no saco, viu! Mas ainda sigo tentando achar o equilibro. beijoca e até breve, gata!

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  • dezembro 7, 2016 a 1:40 pm
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    Assino embaixo, amiga. Eu me vi obrigada a desconectar um pouco depois que meu celular morreu. Não tive pressa de comprar um novo (ou melhor, não tive dinheiro para comprar um novo antes. haha), fiquei SETE MESES sem e posso dizer que minha vida mudou! Hoje, já reconectada, posso dizer que a rotina não é a mesma de antes. Não sinto mais “necessidade” de ver todos os Snaps, deixo o celular na mesa quando vou almoçar, não levo ele pra cama etc. Simplesmente porque soube aproveitar o tempo sem para redescobrir a vida offline.

    Falando especificamente sobre livros, em 2016, depois de dois anos, bati novamente minha meta pessoal de leitura. Pode parecer idiota, mas isso me fez um bem danado.

    Mas eu preciso falar que nesses sete meses me incomodou muito o vício dos outros (que também era meu antes, é claro). Todo mundo tem sempre uma justificativa de por que PRECISA pegar o celular um minuto depois de almoçar (e parar de dar atenção para a pessoa que está ao lado), por exemplo, mas basta um pouquinho de razão para ver que a justificativa definitivamente é furada…

    Enfim, que fique claro que eu não acho que eu seja melhor do que os outros por ter conseguido me libertar do vício, mas o que eu acho é que EU sou hoje melhor do que eu EU era antes. Mais livre, sabe?

    Claro que pode ser que para o nosso blog isso seja ruim, mas até nisso eu mudei. Comecei a pensar que prefiro qualidade a quantidade, e desapeguei de números. Eles, definitivamente, não valem mais do que a sensação de que estou aproveitando cada minuto da minha vida. 🙂

    Ufa, falei demais. hahaha

    Mas gostei da reflexão proposta e se pudesse, recomendaria a todo mundo derrubar o celular na privada e viver a experiência de alguns meses sendo xingada pelos amigos por não ter WhatsApp. hahahaha

    :*

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    • dezembro 8, 2016 a 11:50 am
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      Nah, eu devo ter sido uma das amigas que te xingou hahaha. WhatsAppp não dá para viver sem morando longe, mas já não checo a cada 10 minutos como antes. Deus me livre! Eu estava muito escrava. Amo e continuarei amando internet e suas delicias, mas precisava diminuir mesmo.

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  • dezembro 7, 2016 a 1:40 pm
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    “Quem mais aí ainda cansado desse big brother da vida real?”
    Eu! Eu!
    Sério, Lili. Eu poderia muito bem ter escrito esse post. Eu também passei por idêntica angústia e momento de reflexão há bem pouco tempo e resolvi desconectar. Me recusei a conhecer o Snapchat e a aceitar o Stories do Instagram, cancelei minha conta no face, desinstalei aplicativos no celular e… pronto! Ao invés de mexer no celular antes de dormir, no ônibus a caminho do trabalho ou esperando a consulta do médico, voltei a ler a pilha de livros que há tanto tempo se acumulava na minha estante. Também li mais livros nesse ano do que nos últimos 3 anos. E só agora eu me dei conta que a internet me fez parar de ler livros!! Como eu não tinha percebido isso antes!!
    Enfim… parabéns pelo post! Me representou muito.

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    • dezembro 8, 2016 a 11:51 am
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      Ai Tiago, Snapchat é uma treva viciante mesmo. Agora eu to liberta do vício snapchatico, mas ainda falta me libertar de outros. Sem duvida voltar a ler me ajudou MUITO no processo de desapego virtual!

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  • dezembro 7, 2016 a 8:35 pm
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    Eu ! Mas ainda não consegui me desprender de algumas redes sociais ! Mas sinto que é preciso ! O snap já abandonei, tomava muito meu tempo, mas ainda fico ligada no Instagram é pouco no face. Desativei todas as notificações dessas redes para não ficar piscando na tela do celular e eu abrir pra ver, isso já ajudou muito. Continuo tentado ter mais tempo livre das redes sociais.

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    • dezembro 8, 2016 a 11:53 am
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      Lidi, acho que a gente que bloga não consegue se desprender muito mesmo não. Posto todo dia no Instagram e Facebook, mas já não fico de olho como antes. Vou lá, posto e no dia seguinte antes de postar de novo vejo. Enfim, jamais largarei redes sociais, adoro. Só preciso encontrar o equilibrio mesmo. To caminhando. O Snapchat já ;arguei de mão.

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  • dezembro 7, 2016 a 11:23 pm
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    Oi, meu nome é Thais, e eu sou viciada em redes sociais.
    E pra mim ainda eh mais complicado pq eu fico LOUCA com emails nao lidos, notificacoes nao lidas. Eu nao consigo relaxar ate minha inbox estar zerada. Sou assim ate no trabalho.
    Queria muito conseguir me desligar mais, mas confesso que é um suplicio. Lembro que na epoca do impeachment eu cancelei minha conta no face e fiquei 5 meses sem. E foi uma das épocas mais leves da minha vida.
    Acabei voltando pro face. E consequentemente pras tretas. (Nao me controlo!!)
    Eu ainda tenho o agravante de ter a Cecilia. E de sentir a necessidade de achar que os familiares precisam ver updates quase que diarios dela. Aí nessa historia eu sigo postando loucamente.
    Mas queria muito conseguir dar um tempo, sei que me faria bem. Nao leio um livro inteiro desde a gravidez (o ultimo foi “what to expect when you’re expecting”) e sinto que eu estou emburrecendo dia apos dia. Perdendo vocabulário, perdendo conteúdo ate. E noto que to mais preguiçosa pra leitura. Se passou de 4 parágrafos eu ja quero pular.
    Enfim, criemos um grupos, tipo Alcoolatras anonimos. Quero participar e me desintoxicar.

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    • dezembro 8, 2016 a 2:37 pm
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      Thais, por mais piada que possa parecer, acho que em breve vai existir isso aí de grupo de ajuda. Se já não existe, rs. Eu também sinto necessidade de dar updates para a familia. Mas acho que dá para encontrar um equilíbrio sim.

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  • dezembro 8, 2016 a 11:37 am
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    Que post excelente! Ontem assisti os dois primeiros episódios de Black Mirror depois de termos discutido um pouco a respeito num encontro de psicanálise, e sua reflexão vai bem no sentido do que falamos. Esse tempo que eu tenho usado na internet pode ser empregado em outras tarefas, e ultimamente eu diminui um tanto minha participação online e investi no offline, ainda praticando o difícil exercício de encontrar o equilíbrio nessa linha frágil!

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    • dezembro 8, 2016 a 2:41 pm
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      Obrigada, Natalia. Eu também tenho usado o tempo livre para outras coisas. A gente pode usar internet, atualizar as redes do blog sem pirar sim. O dificil é aprender a não passar dessa linha, mas a gente chega lá!

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  • dezembro 12, 2016 a 1:12 pm
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    Ótima reflexão, Lili! Ainda preciso diminuir muito meu tempo na internet, mas até que eu acho que não sou das mais viciadas. Meu celular não tem notificação ativada para quase nada e eu não fico conectada o dia inteiro. De vez em quando ativo o 3G e dou uma olhada nas novidades, mas se alguém precisar falar comigo “urgente” não vai ser pelo whats app a forma mais rápida. Em viagens, por exemplo, não compro chip para celular. Tiro fotos ao longo do dia, mas só posto no instagram quando estou no hotel. Criamos uma noção de que tudo é urgente, né? Tenho adorado ir para lugares em que não há internet ou celular pra dar uma desintoxicada. O tempo parece que passa até mais devagar assim. Mas pelo menos parar de ler eu nunca parei. Minha leitura antes de dormir é sagrada e nessa hora eu nem olho pro celular. =)

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  • dezembro 12, 2016 a 5:51 pm
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    Oi Lili,
    Muito sensata a sua postagem. Realmente tudo que é demais, sobra.
    Eu posso relatar uma pancada de coisas boas que as redes sociais trouxeram para a minha vida. Tudo vai do foco que a gente coloca nas coisas… Rapidamente, por conta do ORKUT eu desenvolvi um blog de poemas (que hoje está meio em desuso) e por consequência me tornei compositor e lancei um CD autoral em 2012. Meu primeiro parceiro, um paulistano que vive em Tóquio e que não conheço pessoalmente até hoje. E por aí foi… parceiros, poemas, viagens… e seu blog, que conheci quando fui a Londres no ano passado.

    Mas, de fato, de uns tempos pra cá, o Facebook se tornou bastante difícil de suportar… hoje entro muito menos, me empolgo muito menos e dou muito menos bola pra essa ferramenta do que já dei um dia.

    A rede social não pode substituir a cervejinha com os amigos, jamais!

    Um beijão e obrigado pela postagem e pelas dicas sempre certeiras.
    Pena que não tenha tanta grana para viajar mais…rsrs

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  • janeiro 5, 2017 a 3:24 am
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    Oi Lili! Amei teu post. Super me identifiquei. Também estava me sentindo muito “virtual”, sempre conectada e sem viver os momentos plenamente. Eu AMO redes sociais (blog, Facebook, Insta, Snaps, e qualquer coisa que aparecer nova), mas tive que me desligar um pouco ultimamente. Eu estava lendo menos, escrevendo menos, perdendo foco do trabalho, hahahaha. Estou me sentindo melhor agora e fico feliz em saber que não estou sozinha! Beijo grande para ti.

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