Figura de viagem- Moscou

Bom, o povo russo não é o que eu chamo de receptivo.

Essa não foi uma decepção para mim, pelo contrário, era exatamente o que eu esperava.

Mas acho triste uma viagem sem interação com os locais.

Não posso me esquecer da senhorinha que foi mais que simpática tentando nos ajudar a encontrar o nosso hotel. Parecia missão impossível, mas ela nos levou dentro do prédio dela, perguntou a vizinha, que também foi muito educada e ficou da sua janela nos apontando onde era. Não tinha número, placa, NADA. Se não fosse pela boa vontade das duas, estaríamos até hoje procurando. Nunca vou esquecer a gentileza, pois foi uma das poucas em Moscou. A mocinha do hotel também foi outra que nos ajudou.  No final ela até sorriu para nós dois. Tenho a impressão que ela secretamente gostou de mim,hahaha. Precisávamos de um táxi de madrugada e eu não tinha idéia como eu iria explicar isso para ela. Aliás eu não tinha idéia nem como explicar que queria um táxi, ainda mais de madrugada. Expliquei tudo no melhor estilo imagem e ação e quando notei que ela entendeu meu pedido, fiquei tão feliz que a minha reação foi dar uma abraço nela, brasileiramente espontânea. E ela esperou nosso taxi chegar de madrugada, bateu na nossa porta, e deu para perceber que ela foi com a minha cara depois daquele abraço. Ela não respondeu ao meu abraço, que fique claro. Rolou um pânico, mas senti que ela me achou divertida depois daquilo. Também no último dia, última refeição, fomos ajudados pelo fofíssimo garçom de uma cervejaria tcheca que tem uma comida ótima. Ele foi uma graça e me fez repetir várias coisas em inglês para que aprendesse, pronunciando e perguntando se estava correto.

Isso foi o mais próximo que tivemos de uma conversa.

Se bem que na hora de comprar as bonecas russas o vendedor falou português comigo. Mas para vender não vale e ele nem quis saber de nós, não teve interação alem da compra.

Pela primeira vez saimos de um país sem que ninguém nos perguntasse de onde éramos, nada. A figura maior da nossa viagem foi a falta dela, ou delas.

Achei triste, mas ao mesmo tempo não custa lembrar que até não tanto tempo atrás assim a Rússia era pouquíssimo visitada por estrangeiros. Aliás, a impressão que tive é que ainda é. Vimos muito mais turistas russos do que estrangeiros. Não é errado dizer que a cidade  viveu numa redoma na época do comunismo. Senti que as pessoas não estão realmente interessadas, nem acostumados com o novo. E isso inclui você, estrangeiro que visita o país. Mas é o jeito deles e quando a gente vai para um lugar deve respeitar os costumes e até as chatices do povo. E foi o que fizemos. Adoraria conhecer outras cidades russas, mas confesso que essa lacuna que interação deixou desanima qualquer vontade. Isso porque para nós um dos pontos altos de uma viagem sempre são as conversas jogadas fora, o povo do lugar. Mas apesar disso foi uma viagem incrível e inesquecível. Moscou é uma daquelas cidades que todo mundo deveria conhecer uma vez na vida!

*Esta é uma tag para falar um pouco sobre as pessoas com quem esbarramos pelas viagens da vida, e que muitas vezes fazem delas muito mais especiais. Sou uma apaixonada por gente, e acho que  com as pessoas conseguimos conhecer um pouco da cultura, dos costumes e da vida do lugar visitado de uma maneira bem especial. Enxergar um lugar através de quem vive nele é ver um pouco da sua essência!

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lilistahr

Uma capixaba morando em Londres há mais de 12 anos, e apaixonada pela capital britânica. Viciada em viagem, com uma queda por praias paradísiacas e destinos menos óbvios. Para saber mais clique no “sobre” e escolha “sobre mim” na barra superior.

6 comentários em “Figura de viagem- Moscou

  • outubro 3, 2012 a 2:29 pm
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    Oi Lili,

    São vários problema, e o primeiro é a lingua e o alfabeto. Outro por muito tempo, quem falasse ou entendesse inglês na Rússia poderia ser morto, a desconfiança desta pessoa ser Espiã e vender segredos era muito grande.
    O Russo é um povo competitivo demais, ele não gosta de ser passado para trás em nada, não respeitam filas é o maior exemplo disto, mas por 70 tudo o que eles mais fizeram foi pegar filas, então temos que dar um desconto.
    Estive agora em algumas cidades (realizei a Transiberiana) que durante a URSS eram proibidas para estrageiros, sim proibidas. Quando encontrávamos alguém fluente em inglês era uma maravilha, mas nunca falam do período Comunista e morrem de medo do atual sistema.
    Sua aventura com Taxi é temerosa, em meu tour pela Rússia, estava com meu irmão que se vira em Russo, sim ele fala russo, mas mesmo assim haviam momentos de tensão. Tem que sempre pedir para alguém no Hotel ou restaurante solicitar e pasar o endereço e pedir o valor.

    O Russo é uma loucura, e conhecer esta cultura e respeitar esta diferença é muito legal.

    @GusBelli

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    • outubro 3, 2012 a 2:43 pm
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      Gustavo, que máximo fazer a transiberiana! É o sonho de muitos viajantes! Como disse, acho que mesmo as chatices de um povo devem ser respeitadas quando alguém se propõe a conhecer um país, e foi o que fizemos. Não fiquei de mau humor e não estragou a nossa viagem, só senti falta da interação. Foi tudo dentro do esperado mesmo! Mas como sempre falo das pessoas que encontramos no meio do caminho, achei importante registrar minhas impressões aqui no blog também. Obrigada pela visita!

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  • outubro 3, 2012 a 6:39 pm
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    Ainda não tive oportunidade de programar uma viagem para lá, mas está nos planos a médio prazo. É sempre dificil quando não há interação, né? Acho que se perde um pouco da cor do lugar, mas se tem q respeitar a cultura e o estilo do lugar. Hahahaaa, adorei o abraço, bem brazuca mesmo!!! Abraços,
    Paula
    http://www.mochilinhagaucha.blogspot.com.br
    ….

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    • outubro 4, 2012 a 12:29 pm
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      Pois é, faltou realmente a interação. E quanto ao abraço, tenho certeza que a menina vai sempre se lembrar de mim como “aquela mulher maluca”, hahaha.

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  • outubro 4, 2012 a 9:08 pm
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    Ainda quero muito conhecer Moscou, mas em St petersburgo tivemos ume impressão bem melhor dos russos. Vendedores sempre queriam saber de onde vínhamos, mas é verdade que a barreira da língua era muito forte. A conversa que tivemos em inglês era bem rápida e geral mesmo, néao cehgamos a entrar na cultura, fomos apenas espectadores!

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    • outubro 4, 2012 a 9:22 pm
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      É Milena, muita gente diz que St. Petersburgo é bem mais tranquilo(e lindo!). Talvez seja uma boa começar por lá para ir acostumando com as barreiras da lingua e do jeitão dos russos!

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