Figuras de viagem- Abu Dhabi

*Nesta tag eu divido com vocês minhas observações sobre as pessoas com quem esbarramos pelas viagens da vida, e que muitas vezes fazem delas muito mais especiais. Sou uma apaixonada por gente, e acho que  com elas conseguimos conhecer um pouco da cultura, dos costumes e da vida do lugar visitado de uma maneira deliciosa.Enxergar um lugar através dos nativos é ver um pouco da sua essência!

Sem dúvida essas foram uma das férias mais especiais da minha vida por causa das pessoas que encontramos no caminho.

Conhecemos tanta gente bacana, gente que nos emocionou, que nos ensinou, que ensinamos, enfim, essa parte foi a mais inesquecível do nosso mês fora de casa. E isso nos fez se sentir tão em casa que a saudade só bateu no último dia.

Eu já imaginava que iríamos ter um certo contato com os nepaleses, indianos e singaleses mas não imaginei que em Abu Dhabi teriamos a chance de trocar mais de 2 palavras com alguém. Sei lá porque pensei isso, talvez por causa da religião ou das coisas que já ouvi sobre o país, mas pensei.

Nós só tivemos contato com estrangeiros que moram lá. Todos de lugares diferentes, mas especialmente da Ásia e da África.

Minha primeira observação foi que os árabes não estão limpando chão ou atendendo telefone. Mesmo os que não são ricos  tem trabalhos melhores que os estrangeiros em geral.No nosso tour, todos os motoristas eram árabes. Mas chegando no acampamento no deserto, as pessoas que serviam a comida eram estrangeiros, assim como o cara do bar, por exemplo. Não sei se existe uma certa preferência para os árabes, mas certamente o fato de falar o idioma deve ajudar.

Quanto às pessoas com quem conversamos mais, a maioria trabalha, trabalha e trabalha.A intenção de todos é juntar dinheiro ou simplesmente manter a familia. Não existe aquela idéia européia de “vim para cá conhecer o mundo, aprender um outro idioma, viver a experiência”. Lógico que pessoas com cargos mais altos e melhores salários vivem outra realidade, mas pelo que vi a vida da maioria não é mole. A serenidade com que muitos falam sobre a distância da família e o trabalho duro só me faz crer que aquilo tudo é um presente para eles .Uma oportunidade enorme de conseguir manter a família, dar uma vida melhor, ter uma luz no fim do túnel. Eu também estou longe da família, tanta gente que conheço está longe dos pais, dos irmãos, etc. Mas uma coisa é reconstruir uma nova vida longe de casa e outra coisa é deixar uma vida já construída, esposa e filhos, para trabalhar e mandar dinheiro para casa. E só. Viver de alma num lugar e de corpo em outro. E estar em paz com isso tudo. Conversamos com algumas pessoas nessa situação,mas quem nos tocou foi um rapaz de Bangladesh que trabalha no café do hotel onde ficamos. Na primeira noite batemos um longo papo com ele, que nos contou que sua esposa vive em seu país de origem, da saudade que sente e nos perguntou por que não iríamos a Bangladesh também já que iriamos tão pertinho. Também nos disse da paixão do seu país pelo futebol brasileiro e argentino.de como seu país se divide entre os dois países para torcer na Copa. Subimos para o quarto sem o desejado bolo de chocolate do café, que só é vendido inteiro e não só em pedaços, mas felizes pelo papo gostoso. Tive uma leve sensação que nem todos os hóspedes dão tanto assunto como nós. E isso nos fez subir da condição de hóspedes para amigos. E toda vez que passávamos por eles, o sorriso era largo, sempre surgia uma conversa.

Eis que no dia seguinte, ao chegar no hotel à noite, após nosso papo com os funcionários do hotel, o tal rapaz disse que tinha um presente para nós na nossa geladeira. E lá estava o bolo de chocolate inteiro para nós.

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Que coisa linda! Aquilo não era um agrado do hotel para nós. Não era o gerente querendo consertar uma falha do hotel. Era a prova de que não só ele será lembrado por nós, mas que nós seremos lembrados por ele também. Não só nós fomos tocados por toda aquela história e seu brilho nos olhos ao falar do seu país e sua família, o simples fato de ouvir o que ele tinha para dizer também tocou aquele rapaz. Não tem nada mais bacana do que fazer a diferença na vida de alguém, nem que seja por 5 minutos. Saimos de Abu Dhabi no dia seguinte com o sorriso no rosto.

 

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lilistahr

Uma capixaba morando em Londres há mais de 12 anos, e apaixonada pela capital britânica. Viciada em viagem, com uma queda por praias paradísiacas e destinos menos óbvios. Para saber mais clique no “sobre” e escolha “sobre mim” na barra superior.

2 comentários em “Figuras de viagem- Abu Dhabi

  • Janeiro 9, 2013 a 7:15 am
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    Que post lindo Lili, estou chorando, emocionada com a historia do bolo e com a forma linda que vc a relatou, imagino como foi pra vcs viver isso. Fico aqui pensando em qtas experiencias tocantes vcs tiveram no restante da viagem, aguardo ansiosa por futuros relatos, bjos minha linda

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    • Janeiro 9, 2013 a 2:31 pm
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      Nossa, essa foi só a ponta do iceberg. Vem mais por ai. Que bom que gostou! Beijo enorme!!!

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