Sobre reviravoltas, recomeços e recuperar o mojo perdido

O dia 3 de Abril de 2017  foi meu ultimo dia oficial como residente de Londres.  Nesse dia eu parti para uma viagem de alguns meses sozinha. Como o final de 2016 foi complicado para mim, eu precisava muito estar com minha familia, na minha cidade, com pessoas que me conhecem tão bem. Mas eu também precisava estar sozinha e com pessoas que nunca me viram antes, e em situações completamente novas que me fariam questionar um montão de coisa e me ver como eu era, ver quem seria aquela nova Liliana, ou como a velha Liliana se comportaria na nova vida. Acabei fazendo os dois. Viajei sozinha uns meses e fiquei um tempo com a familia outros meses.

De Dezembro de 2016 à Abril de 2017 eu morei em 6 casas diferentes. E até Outubro de 2017 minha vida inteira passou a caber em 2 malas. Isso por si so ja me faria ver um novo mundo. Mas tem mais, muito mais.

E por causa de todas essas mudanças eu parei de escrever. No final de Junho de 2017 fiz meu ultimo post aqui no blog. Nesses meses todos, eu tentei muitas vezes escrever. Eu escrevi muitos posts. Nenhum me parecia fazer justiça ao que vivi, as coisas que eu queria passar para pessoas. Nada me parecia relevante. Eu tenho muitos posts prontos de dicas, mas nada que expressava o que eu queria dizer. E eu não queria voltar a escrever depois de uma viagem dessa como se nada tivesse acontecido em mim, falando: olha que bonito esse lugar, olha que lindas as coisas que eu vi. Teria eu perdido totalmente o mojo? Eu achava que sim.

Mas a verdade é que não perdi meu mojo, eu achei outro. Eu quero muito passar dicas de viagens, quero muito que pessoas vejam pelos meus olhos e pelas minhas palavras como o mundo é maravilhoso, ou nem tanto as vezes. Mas eu ja não queria fazer isso como antes. Como pessoa que escreve sobre viagens, eu sinto que é preciso falar mais do que sobre aquilo que vemos de lindo. Temos o dever de alertar, de conscientizar, de informar, de ensinar e de aprender, evoluir.

No alto do meu hotel limpinho numa ilha paradisíaca colombiana, eu questionei qual era o sentido de estar ali enquanto nessa mesma ilha as pessoas viviam em condições super precárias. Qual seria o sentindo de falar sobre Machu Picchu quando eu fui cantada por 2 policiais peruanos e isso é só a pontinha do que passam tantas mulheres que viajam sozinhas? Qual é o sentido de dizer o quão lindo é meu hotel de luxo em Bali se não vi um negro como hospede la? Qual o sentido de falar que vi mais de 15 tartarugas num mergulho espetacular, quando nessa mesma praia eu fiquei horas catando lixo deixado por turistas? E principalmente, qual o sentindo de falar de viagens, do privilegio de fazer um sabático por meses e de poder voltar a morar numa cidade onde escolhi viver, no alto da minha vidinha classe media quando tem tanta coisa relevante acontecendo por ai?

E é com esses questionamentos que eu volto a escrever. Depois de muitos meses e um final de semana em Rotterdam no Traverse, uma conferencia de e para escritores de viagem, rodeada de amigos e pessoas inspiradoras. Depois de refletir, pensei o obvio.  Não preciso deixar de dar dicas e falar das coisas lindas, mas com certeza eu preciso falar mais também dessas coisas que julgo relevantes. Não só eu, a blogoesfera precisa de mais conscientização. E de mostrar também um pouco da nova Liliana, que muita gente não conhece. A que eu ainda estou conhecendo. A Liliana que não mais mora em Londres, mas mudou para Barcelona. A que tem um trabalho diferente do de  antes, e que a faz muito feliz. A que é mergulhadora. A que faz hiking. A que fica 2 meses sem beber e depois passa um final de semana com o pé na jaca com as amigas(talvez essa seja a velha Liliana também, hahaha). A que é faixa amarela de kickboxing. A que esta um pouco mais preocupada com as questões ambientais. A que admite que uma cidade grande e lotada não a faz feliz. A que vive com 1/3 da quantidade de roupas de antes e ainda acha muito. A que quer viajar cada vez menos para cidades e mais para perto da natureza, mas agora sem se importar se vai ser na Asia ou a 30 minutos de casa. A que fala espanhol (pensem que nesse meu sumiço eu ate aprendi um novo idioma). A  que não necessariamente quer falar de todos os lugares onde esteve, nem tudo que fez, so o que julgar valer o seu tempo que lê, e o meu que escreve. A Liliana que mesmo otimista se pergunta: sera que ainda tem alguém aqui me lendo?

 

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lilistahr

Uma capixaba morando em Londres há mais de 12 anos, e apaixonada pela capital britânica. Viciada em viagem, com uma queda por praias paradísiacas e destinos menos óbvios. Para saber mais clique no "sobre" e escolha "sobre mim" na barra superior.

24 comentários em “Sobre reviravoltas, recomeços e recuperar o mojo perdido

  • maio 29, 2018 a 9:09 am
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    Que bom que está de volta, ou melhor, que bom que a nova Liliana quer se deixar conhecer.
    Como sempre digo, fico feliz em ver meus amigos felizes…. sinto muito a sua falta aqui, mas cada um se reinventa do jeito que é melhor pra si mesmo…. é a melhor coisa…. e amigos de verdade estão sempre perto um do outro, mesmo que distantes!
    Já passei por vários recomeços na minha vida…. é duro e às vezes da vontade de desistir, mas vale a pena persistir!
    Continue assim e escrevendo o que o seu coração manda, pois no frigir dos ovos a única coisa que importa é ser feliz!
    Bem vinda nova Liliana e welcome back velha Liliana, pois ela vai sempre estar com vc…..
    Beijos e saudades!

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    • maio 31, 2018 a 10:43 am
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      Obrigada, amiga! beijo beijo

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  • maio 29, 2018 a 12:37 pm
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    A Liliane de antes, a Liliana de agora, tantas quantas existiram e ainda existirão, amo cada uma delas.
    Muito feliz por você, minha amiga. E como muitas saudades, também!
    E sim, ainda tem “alguém” que te lê… rs

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    • maio 31, 2018 a 10:44 am
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      Ah, que delicia ver voce por aqui! beijooo

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  • maio 29, 2018 a 2:05 pm
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    Eeeuuuu ainda tô aqui lendo! 🙂
    Que saudade de você, guria! Que saudades de ler seus textos…
    Esse seu post mexeu comigo porque deixar Londres pra trás (por mais que eu tenha vivido beeeem menos tempo lá do que você) “mudou a estação” no meu radinho que tocava blog de viagem. haha
    Eu perdi a pira muito por tudo que você falou. Não queria mais simplesmente dar dicas, e aí não enxergava como uma possibilidade simplesmente fugir desse padrão e acabei me dedicando a outros projetos mais inteiramente – o que acabou sendo ótimo…
    Volta e meia penso em voltar, mas com a vontade de começar do zero de novo. hehe
    Enfiiim, o texto é sobre você, não sobre mim. E esse papo a gente tinha que ter na mesa de um bar! 😉
    Só queria dizer que fico feliz por você ter lidado de uma maneira tão linda com tantas transformações e ter se tornado uma mulher ainda mais especial depois disso tudo. <3
    Seja feliz sempre. Aqui nesse espaço que sei que ainda vai proporcionar muitas reflexões maravilhosas para um monte de gente, aí em Barcelona, no mundo! Você merece!
    Que possamos nos encontrar por aí em breve…
    Beijão

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    • maio 31, 2018 a 10:47 am
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      Nahzita do meu core,
      A gente passa por tantos altos e baixos nessa vida de internet ne?
      Uma das coisas que mais me prendeu a não desistir foi esse ciclo de pessoas maravilhosas que o blog me deu. E o prazer da escrita, que eh algo tao deliciosamente terapêutico que eu não quero deixar pra trás nunca. Voce também vai encontrar suas respostas, eu sei disso.
      Vem logo me ver pra colocarmos esse papo em dia! Quanta saudade de voce!
      De verdade, como pode estarmos tanto tempo sem nos ver sendo que a gente viaja tanto?
      Beijo bem grandão!

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  • maio 29, 2018 a 3:03 pm
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    Yeiiiiiii!!!!! Seja bem-vinda de volta lindonaaa!!! Eu entrei aqui quase todos os dias esperando pelo seu retorno. E valeu a pena a espera!!! Você detonou como detona sempre… ai pena que não te conheci antes 🙁 …. li, amei, e assino embaixo, to doida pra ler seus novos posts, assim como dicas, realidade e o mundo pelo seu olhar…. sou sua fã <3

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    • maio 31, 2018 a 10:48 am
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      Nadia,
      Que lindo ler isso aqui. Se voce entrou aqui sempre esperando meu retorno, sua fa sou eu! beijoca

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  • maio 29, 2018 a 4:50 pm
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    Sim… tem gente te lendo sim… E muito feliz por acabar de fazer uma leitura tão aconchegante como essa. Que bom que há gente que ainda reflete sobre si e sobre o todo… é isso aí, Liliana… eu até me incentivei em atualizar meu blog de poemas que anda meio esquecidinho, embora reúna quase toda minha obra de textos poéticos e letras de canções… Esse mundo virtual é uma viagem diferente onde a gente acaba se deparando com muita gente interessante, o que é sem dúvida nenhuma, o seu caso. Ah… em 2017 fui pro Atacama pra comemorar meu cinquentenário e lembro que te pedi umas diquinhas… foi ótimo! Um beijão e compartilhe mais textos cheios de vida como esse. Rogerio, de São Paulo

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    • maio 31, 2018 a 10:50 am
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      Rogerio,
      Voce sempre tao doce e querido! Obrigada pelas lindas palavras. Uma pena que não pude te dar mais dicas do Atacama, mas elas serão umas das primeiras a entrar aqui.
      Beijo grande!

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  • maio 29, 2018 a 7:51 pm
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    Lili, que bom ler o seu texto! Continuo aqui acompanhando suas aventuras (da velha e da nova Liliana) que me inspiram tanto. Melhor do que dicas de restaurantes, hotéis e passeios, o mais legal é compartilhar o que muda dentro da gente. Boa sorte na sua nova jornada. beijo

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    • maio 31, 2018 a 10:51 am
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      Menina do ceu, olha que voce foi uma das primeiras pessoas que conheci através de blog, sabia? E se ainda temos contato e voce continua lendo o que escrevo, algo de certo eu fiz na vida!hahaha Obrigada, gata. Beijoca

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  • maio 29, 2018 a 10:23 pm
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    Amore, tava sentindo falta!
    Amo seu desenrolar no teclado!
    More please!

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    • maio 31, 2018 a 10:52 am
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      Lindeza! Quanta saudade!

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  • maio 30, 2018 a 12:04 am
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    Novo momento…!!! Legal Liliana e que venham outros momentos, outros textos e outras reflexões.

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    • maio 31, 2018 a 10:52 am
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      Obrigada, lindona!

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  • maio 30, 2018 a 1:45 pm
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    É claro que tem alguém lendo, aliás, muita gente, né, hehehe.
    Bom que está de volta. Espero ler mais e mais posts teus 🙂

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    • maio 31, 2018 a 10:57 am
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      Obrigada por estar sempre por aqui! beijoca

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  • maio 31, 2018 a 8:20 am
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    adorei, Lili!!! e concordo com tudo q vc disse! as vezes a gente nao precisa rodar o mundo (ainda q seja bom), mas apenas dar uma voltinha e ir pro mato ali perto de casa!

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    • maio 31, 2018 a 11:00 am
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      Pois eh, Helô, isso eh o que chamo de maturidade viajeira hahahaha. A gente fica que nem criança as vezes querendo completar album, ou buscar as respostas no exótico distante(que eh maravilhoso sim) e esquece da beleza que esta ali pertinho da gente. beijo beijo

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